Cinema

Festival de Berlim vai realizar-se em versão reduzida

Festival de Berlim vai realizar-se em versão reduzida

Berlinale abre a 10 de fevereiro com homenagem de François Ozon a Fassbinder. Ator português João Nunes Monteiro é um dos 10 Shooting Stars do ano.

O agravamento da situação sanitária na Europa tem afetado, entre muitos outros eventos culturais, os festivais de cinema que deveriam começar neste momento a realizar-se, após o período de férias festivas. Por exemplo, as medidas bastante restritivas impostas pelo governo dos Países Baixos levou à organização apenas online da edição deste ano do Festival de Roterdão, que terá início, nesse formato, no próximo dia 26.

O primeiro dos três grandes festivais de cinema do ano, a Berlinale, que celebra a 72ª edição e antecede Cannes e Veneza, esteve até ontem em dúvida, no que diz respeito ao formato deste ano. Recorde-se que a edição de 2020 correspondeu a um dos últimos eventos a realizar-se de forma absolutamente normal antes do confinamento, tendo terminado a 1 de março, e que o ano passado se realizou apenas online, durante cinco dias.

Há alguns dias que se sabia que o Mercado do Filme e o Fórum de Co-Produção, duas importantes iniciativas que se desenrolam em paralelo com o festival, tinham transitado para o online, criando dúvidas sobre a possível realização presencial do festival propriamente dito. Mas, após o anúncio do governo federal sobre as medidas sanitárias em vigor no país, a Berlinale anunciou ontem a realização presencial, mas com um novo formato.

Inicialmente, as datas anunciadas eram as de 10 a 20 de fevereiro, próximo. Agora, a versão competitiva, aberta ao público mas também aos profissionais do meio, como a imprensa, e com a presença das equipas dos filmes, desenrolar-se-á apenas de 10 a 16, dia em que será anunciado o Urso de Ouro e o restante palmarés, escolhido por um júri presidido por M. Night Shyamalan. Nos restantes dias, até 20 de fevereiro, haverá apenas repetições de filmes, a pensar sobretudo no público local, que costuma encher todas as salas em que o festival se desenrola. No entanto, a presença nas salas estará reservada a quem dispor de um passe sanitário válido e de testagem realizada diariamente, em moldes ainda a anunciar.

Esperando-se ainda a divulgação do restante programa oficial, foi entretanto revelado o filme de abertura. Trata-se de "Peter von Kant", do francês François Ozon, com Dénis Minochet, Isabelle Adjani e Hanna Schygulla, uma homenagem do realizador a Rainer Verner Fassbinder, mais propriamente ao seu "As Lágrimas Amargas de Petra von Kant".

Em entrevista recente ao JN, a propósito do seu filme anterior, "Correu Tudo Bem", neste momento em cartaz, Ozon confessara a sua admiração pelo cineasta germânico: "Tenho uma grande paixão por Fassbinder, foi muito importante no meu processo de fazer filmes. Adoro a energia dele, a paixão, a sua forma de fazer filmes. Era uma força da natureza."

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Ozon estará assim pela sexta vez em Berlim, vinte anos depois de "8 Mulheres", cujo elenco em conjunto venceu um Urso de Prata pela sua Contribuição Artística. O filme será de novo exibido no festival, no quadro da homenagem a Isabelle Huppert. Em 2012, Ozon venceu também Grande Prémio do Júri por "Graças a Deus".

Entretanto, foi anunciada também a seleção dos 10 atores e atrizes europeus a fazerem parte dos Shooting Stars, iniciativa anual da European Film Promotion e que constitui, para todos eles, uma oportunidade de mostrar o seu trabalho a agentes, produtores e realizadores.

Depois de Joana Ribeiro em 2020 e de Alba Baptista o ano passado, Portugal tem um representante pelo terceiro ano consecutivo. A escolha recaiu em João Nunes Monteiro. O jovem ator portuense, que completa 29 anos de idade dentro de dias e já víramos em filmes como "O Cônsul de Bordéus", "Cartas de Guerra", "Verão Danado" e sobretudo "Mosquito", onde era protagonista e transportava todo o filme às costas, impressionou o júri de seleção pelo seu trabalho no recente "Diários de Otsoga", de Miguel Gomes e Maureen Fazendeiro.

O filme estreou mundialmente na Quinzena dos Realizadores do último Festival de Cannes, realizado excecionalmente em julho, estreou no mês seguinte nas nossas salas e fora filmado durante a pandemia, no interior de uma quinta na região de Sintra, com toda a equipa testada e sob vigilância. Nas palavras do júri, "a intensidade silenciosa e respeitosa autenticidade" de João Nunes Monteiro "atrai-nos para as suas personagens, que procuram a alma de uma forma que se aproxima do documentário."

O festival assinalará também a estreia mundial da curta-metragem "By Flávio", uma coprodução luso-francesa realizada por Pedro Cabeleira e interpretada por Ana Vilaça, Rodrigo Manaia e Tiago Costa e do documentário "Nada Para Ver Aqui", de Nicolas Bouchez, em coprodução com a Bélgica e a Hungria.

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