Banda desenhada

Há um novo "Amor de perdição"

Há um novo "Amor de perdição"

Autores portugueses adaptam obra de Camilo Castelo Branco para a coleção "Clássicos da Literatura em BD".

À venda desde o início da semana, "Amor de perdição, na versão de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge, fecha a coleção "Clássicos da Literatura em BD", uma parceria da Levoir e da RTP.

O "Jornal de Notícias" falou com os dois autores para compreender a génese desta obra. João Miguel Lameiras, o argumentista, referiu que "já conhecia a obra do liceu, uma tragédia romântica na linha de "Romeu e Julieta"". A adaptação permitiu-lhe "ficar a conhecer melhor o livro e a própria vida e obra de Camilo". Já o desenhador, Miguel Jorge, confessou que "esta adaptação foi a janela para o mundo do romancista". Desvendou ainda que, "devido ao prazo apertado, o trabalho dos autores decorreu quase em simultâneo. Recebia o argumento em blocos de 12 páginas e avançava com os esboços e a legendagem". Lameiras completa: "Via os layouts, falávamos e alterávamos o que era necessário. O Miguel pediu-me para fazer a planificação, mas houve algumas cenas para as quais tinha ideias bem definidas e não resisti a propô-las". Dessa forma, remata o desenhador, "foi um projeto bastante colaborativo".

Condensar "200 páginas de uma história em que acontecem muitas coisas em 44 pranchas de BD foi o principal condicionamento" para o argumentista que, "numa segunda leitura da obra, listou "o que era importante manter", nomeadamente "a forma como o Camilo se dirige diretamente ao leitor, a relação maioritariamente epistolar entre Simão e Teresa e o humor e a crítica social".... Depois, conclui, "foi encaixar tudo, de uma forma narrativamente interessante e graficamente atrativa".

Agora, com o livro impresso, ambos consideram que esta versão aos quadradinhos pode "tornar mais conhecido o romance original, sobretudo junto de um público mais jovem, que poderá ser mais facilmente atraído pela versão em BD".

Mas será que Camilo iria gostar de a ler? Miguel Jorge espera que sim, "pois tentámos ser o mais fieis possível ao original". Já João Miguel Lameiras vinca que Camilo Castelo Branco "sempre escreveu para ser lido e penso que gostaria que a sua obra chegasse a um público diferente".

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Em final de conversa, uma analogia: o desenhador lembra que Camilo "escreveu grande parte do livro na prisão e nós desenvolvemos esta adaptação em confinamento".

Ao longo de 14 meses, foram 14 as versões de romances editadas na coleção "Clássicos da Literatura em BD". A par de "Tom Sawyer", "Os três mosqueteiros" ou "Dom Quixote", traduzidas de uma coleção similar francesa, foram criadas para o efeito "Amor de perdição" e "Os Maias", da autoria de José de Freitas e Canizales. Cada volume, além da BD, inclui um dossiê que situa a obra e o autor no seu tempo.

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