Cinema

Um novo "Gritos" em memória de Wes Craven

Um novo "Gritos" em memória de Wes Craven

Popular série de terror está de volta para o quinto capítulo.

Quando escreveu e realizou em 1984 o primeiro "Pesadelo em Elm Street", Wes Craven, que morreu em 2015 com 76 anos, já se tinha estabelecido como um assinalável autor de filmes de terror. Mas foi Freddy Krueger que o imortalizou no panteão dos fãs do género, com oito filmes e uma série de televisão.

Em 1996, Craven vai ainda mais longe, assumindo a realização de uma história escrita por Kevin Williamson, sobre um assassino mascarado que atormenta a pequena cidade de Woodsboro. O filme começava com uma das cenas de suspense mais angustiantes do género, mostrando que o realizador valia muito mais do que as parcas linhas que lhe eram destinadas nas histórias do cinema.

Os dois filmes que se lhe sucederiam provavam que Craven era mestre e que, com ele, o horror era real, a angústia sentia-se fisicamente, a estrutura narrativa era mesmo de quem pensava cinema a sério.

Ainda em vida, Wes Craven não resistiu à tentação de fazer um quarto filme. Foi em 2011, onze anos após o anterior. Mais 11 anos volvidos e eis que surge um novo "Gritos", assinado por dois realizadores, Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, e dedicado a Wes Craven. Apesar de o título não ser seguido do número 5, não se trata de um remake do original mas de uma sequela contemporânea da série, assumindo a respetiva distância temporal.

Nestes casos, pergunta-se se valeu a pena e se existe uma ligação lógica com os antecessores. Ora, o novo "Gritos" é suficientemente divertido, e assustador quando deve ser, e encontra na relação dos fãs com a série a sua razão de existir, desmontando por dentro os lugares-comuns dos filmes de horror. Depois, entram de novo em ação as personagens interpretadas por David Arquette, Courtney Fox e Neve Campbell, que também parecem ter-se divertido a regressar às personagens que ajudaram a imortalizar. E o bem razoável "body count" inicia-se ao som de "Red right hand", tema icónico da série, e que Nick Cave até reescreveu para o terceiro filme. Não é do álbum "Murder ballads", mas podia ser.

Gritos
Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett
2021

PUB

Mais Notícias (desktop)

Outros Conteúdos GMG