Terceiro dia

Música regressa em cheio com o JN North Festival

Música regressa em cheio com o JN North Festival

O terceiro e último dia do JN North Festival confirmou o regresso definitivo das enchentes aos festivais de verão em Portugal. Foram cerca de 15 mil os festivaleiros que, segundo a organização da Vibes and Beats, passaram este sábado pela Alfândega do Porto, numa enchente como já não se via num evento musical desde o início da pandemia que paralisou a indústria nos últimos dois anos.

O balanço é "muito positivo", segundo Jorge Veloso, organizador do JN North Festival. "É tempo de dizer que ultrapassamos esta etapa, cumprimos todos os compromissos, apesar dos três adiamentos. Agora vamo-nos focar já na próxima edição, que será no último fim de semana de maio (2023)", acrescentou.

No JN North Festival trabalharam cerca de 700 pessoas a quem Jorge Veloso agradeceu. As 15 mil que passaram nesta última noite pelo recinto representam "uma casa muito perto de esgotar" e, por isso, "não há qualquer razão de queixa", assinalou o organizador, que prometeu "um cartaz ainda mais forte para o ano".

GNR como o vinho do porto

Antes de Jesus and Mary Chain e Waterboys, cantou-se com pronúncia do Norte. Os GNR, claro está, brilharam a jogar em casa, debaixo de "um pôr do sol magnífico", numa "cidade maravilhosa", segundo palavras de Rui Reininho. O vocalista foi igual a si próprio, sempre de piada fácil e de forte interação com o público. Antes de "Vídeo Maria", uma indireta à TAP: "Não viemos de avião, não há dinheiro. Mas também não dava, porque não há".

Em noite de catedráticos, os portugueses mostraram que são como o vinho do Porto, de guitarra aguerrida, compasso certo e verso eficaz. "Mais Vale Nunca" soou enquanto ainda era de dia. Mais tarde, Reininho declarou "Morte ao Sol" e a noite irrompeu pela Alfândega.

Até ao encore destacou-se "Sangue Oculto" e, depois do regresso, "Dunas" arrancou os telemóveis dos bolsos do público, que desatou a filmar as luzes amarelas sobressaídas da noite ainda tímida, no entanto quente.

A "Always and Forever", dos Keep Razors Sharp, foi a primeira música a ser ouvida na tarde nortenha. O conjunto de Afonso Rodrigues (de Sean Riley and the Slowriders) mostrou mais uma vez que tem pedalada para grandes palcos. Os riffs intensos e por vezes altamente melódicos conjugados com distorções sujas transportam-nos para outros tempos musicais, ainda que tudo ali criado seja contemporâneo, uma vez que a vida da banda ainda é curta.

Destaque, ainda, para o Conjunto Cuca Monga, composto por cerca de 20 elementos que se juntaram na pandemia para comporem o disco Cuca Viva, onde participam elementos de Capitão Fausto, Luís Severo, Ganso, entre muitos outros. A versatilidade desta orquestra é notável, o que resulta do facto de elementos de várias origens musicais se terem juntado na pandemia.

Mais Notícias (desktop)

Outros Conteúdos GMG