Combate medieval

Castelo de Ansiães palco de lutas violentas com espadas

Castelo de Ansiães palco de lutas violentas com espadas

Combates medievais reais com equipas portuguesas e espanholas decorreram este sábado e prosseguem domingo de manhã para apurar vencedores.

"Chega-lhe azeite!" O imperativo, assim berrado do cimo de uma das muralhas do Castelo de Ansiães, não era para que alguém acendesse a candeia. Era de incentivo aos combatentes na liça. Homens e mulheres. De longas espadas agarradas com as duas mãos, protegidos com armaduras de 30 quilos de peso, digladiavam-se com violência no primeiro Torneio Medieval de Carrazeda de Ansiães.

"Não é recriação. É combate real", realça a vice-presidente da Câmara, Adalgisa Barata. A competição envolve cinco equipas portuguesas e duas espanholas, nas modalidades Pro Fight, Arma de Haste, Espada Longa, Espada e Escudo, Espada e Broquel, e 5x5. Os primeiros combates estão a realizar-se, este sábado, no Castelo de Ansiães. Domingo, a partir das 10 horas, vão ser apurados os vencedores.

A Armis Nostrum, de Óbidos, e a Punho de Ferro, de Loures, são duas das equipas portuguesas envolvidas na competição. Costumam treinar em conjunto, mas este fim de semana cada uma defende as suas cores. Orlando Silva e João da Silva, respetivamente, capitães das duas equipas, concordaram que a modalidade "está ainda pouco divulgada", mas "começa a ganhar adeptos".

Orlando Silva assume-se como "o segundo combatente mais velho de Portugal". "Isto iniciou-se em 2011 com Maurício Ramos, durante uma brincadeira na Holanda". Eram "recriadores históricos", mas evoluíram para lutadores a sério. Pelo meio estudaram "esgrima e várias artes marciais". Em 2019, João da Silva conheceu Orlando em Óbidos e acabou por se entusiasmar também, tendo iniciado a equipa Punho de Ferro.

Nessa modalidade, não há restrição na força dos golpes aplicados no adversário, mas há regras apertadas e a segurança é levada muito a sério. Combater com os espanhóis, assume João da Silva, "dá outro sal à competição", pois "eles são aqueles irmãos com os quais se anda sempre às turras".

O "problema", salienta Orlando, é que "os espanhóis têm orçamentos maiores e conseguem adquirir material muito melhor do que nós". Por isso é que "eles têm 60 combatentes e nós temos 15", acrescenta o capitão da Armis Nostrum.

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Rúben Cabellho, da equipa espanhola Ursos Custodes, de Madrid, diz que faz isto por "paixão". Por um lado, porque é um "aficionado desta modalidade". Por outro, porque "gosta de História".

O Torneio Medieval no Castelo de Ansiães é promovido pelo Município de Carrazeda de Ansiães e conta, na organização, com a equipa desportiva Portvcalle Combate Medieval.

Adalgisa Barata refere que o principal objetivo é proporcionar "iniciativas diferenciadoras" para "atrair mais visitantes" a um concelho que para além do Castelo de Ansiães e de "muito e variado património histórico", tem também "oito percursos pedestres homologados com vistas para os vales dos rios Douro e Tua, miradouros sobre paisagens fantásticas e ótima gastronomia".

Na vila de Carrazeda, na zona da Biblioteca Municipal, está a decorrer um mercado medieval, que a Câmara organiza em parceria da Causa 4G. Está aberto até ao final deste sábado. Há ali mercadores que demonstram e vendem produtos e uma taberna medieval, com comida e bebida ao serviço dos visitantes. Esta noite atuam os Galandum Galundaina.

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