Trilhos

Após duas noites ao relento, turista alemã foi resgatada com vida na Serra da Estrela

Após duas noites ao relento, turista alemã foi resgatada com vida na Serra da Estrela

Jovem de 27 anos perdeu-se no caminho da Lagoa dos Conchos. Não tinha equipamentos nem experiência de trilhos de montanha.

Foram precisas 15 horas para que o contingente policial e de proteção civil localizasse a turista de nacionalidade alemã que, segunda-feira desapareceu na Serra da Estrela. Foi encontrada entre a Lagoa dos Conchos e o Vale do Rossim com aparência frágil e debilitada, mas com vida.

"Estava desidratada e com pequenas escoriações nas pernas, mas fora de perigo", recordou Nuno Monteiro que comandou os voluntários dos Bombeiros de São Romão, Seia.

As buscas mobilizaram três binómios cinotécnicos, com cães pisteiros, cerca de 40 homens que trabalharam apeados e uma equipa de manuseadores de drones, mas a operação só foi concluída com sucesso quando o helicóptero, sediado em Santa Comba Dão sobrevoou a zona entretanto delimitada.

"A jovem estava numa zona de vegetação muito densa, mas quando ouviu o meio aéreo subiu a uma rocha e pediu auxílio", explicou o comandante da brigada de resgate de montanha da GNR.

Depois de duas noites ao relento sem kit de sobrevivência, foi helitransportada para uma ambulância que a conduziu ao Hospital da Covilhã.

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Valeu ainda a informação prestada pelo namorado às autoridades policiais. Ausente na Alemanha, tinha sido a última pessoa a contactar a vítima antes de ficar sem bateria no telemóvel.

Serra adentro "sem rede"

A turista que se perdeu na segunda-feira e foi resgatada dia e meio depois, não conseguiu ser feliz no local onde já tinha estado no ano passado. Residente no Porto, a jovem de 27 anos subiu pela primeira vez à Torre no último inverno para fazer ski na estância da Serra da Estrela e, esta semana, regressou para conhecer outros recantos da montanha como a Lagoa dos Conchos.

Aventurou-se sozinha e sem equipamentos que a pudessem proteger ou orientar em caso de contratempo, pelo que o comandante do posto de socorro e salvamento da Serra da Estrela aproveitou o exemplo para deixar mais "um aviso à navegação": "Ninguém pratica atividades sozinho em áreas de montanha, é preciso trazer equipamento adequado, mais do que um telemóvel, procurar zonas com rede, ter pontos de referência e alertar terceiros sobre o que vai fazer", resumiu o sargento Carlos Fernandes.

Uma dezena de resgates este ano

A equipa da Unidade de Proteção e Socorro da GNR não tem mãos a medir na área da Serra da Estrela. Só este ano, os 25 elementos alocados ao resgate de montanha já intervieram em pelo menos 10 ocorrências. A mais grave ocorreu em maio quando um praticante de escalada caiu e partiu uma perna na zona do Cântaro Magro, Manteigas. No ano passado foram registados cerca de 50 resgates, a maioria no verão.

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