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"Só abriram a Feira da Vandoma por causa das eleições"

"Só abriram a Feira da Vandoma por causa das eleições"

Comerciantes criticam demora da Câmara a reabrir mercado de usados na Avenida 25 de Abril, no Porto.

"Este presidente não gosta de feiras. Se não houvesse eleições, isto estava fechado, pode ter a certeza. Só abriu agora por causa do dia 26, e Deus queira que não feche depois das eleições", clamava Carlos Correia, um dos comerciantes que no sábado de manhã voltaram a vender na Feira da Vandoma, interdita há ano e meio por conta das restrições impostas pela pandemia de covid-19.

Ali, explica-se a reabertura tardia da feira - no Porto, as restantes, excetuando também a do Cerco, já tinham sido retomadas há vários meses - com a contagem decrescente para as eleições autárquicas, mas não será na Vandoma que Rui Moreira poderá contar com votos que o reelejam para novo mandato à frente da Câmara.

"É o único presidente que vai ter no currículo que acabou com a feira nas Fontainhas", ironizava o feirante, que vende na Vandoma há 30 anos e condena a transferência do mercado para a Avenida 25 de Abril, perto da Praça das Flores e longe da Baixa, zona onde sempre funcionou. "Agora [Rui Moreira] vai arranjar um motivo qualquer para mudar a feira daqui, de certeza. Para mim, o objetivo é acabar com ela", indigna-se Carlos Correia.

Turistas não visitam

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"Uma rua não é sítio de feira", critica Margarida Silva, contando que "havia muito mais gente a vender" sob a ponte do Infante. "Fontainhas é um lugar turístico, mas para aqui não é fácil virem turistas, porque isto não é o centro do Porto", lembra a feirante, que, à semelhança de todos os comerciantes ouvidos pelo JN, acredita que a reabertura da Vandoma já no final do verão foi apenas motivada pela aproximação das autárquicas.

"Só abriram por causa das eleições, e nós sabemos disso. Se quisessem abrir, já tinham aberto há muito tempo", protesta Margarida Silva, que considera "um desrespeito" não lhes ter sido comunicada a data de reabertura. "Muita gente faltou porque não sabia. Fomos apanhados de surpresa. Saiu no jornal, e fomos dizendo uns aos outros", conta, a apontar os "tantos lugares vazios" de quem não montou banca.

"Conforme nos avisaram do cancelamento por email, também podiam ter avisado agora, para estarmos todos precavidos", concorda Eduardo Correia, para quem a reabertura "a meia dúzia de dias das eleições é duvidosa". Para o comerciante, a Vandoma "já poderia ter aberto em junho ou julho. Daqui a pouco começa a chover, e isto com chuva não interessa a ninguém".

Tal como Dorinda Silva, Licínio e João Costa, também Manuel e Manuela Pinto falam numa "abertura muito esquisita, por as eleições estarem perto". "Quando acabarem as eleições, acaba a feira. É certinho", vaticina Manuela.

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