Almada

Jerónimo e Maria Meira inverteram papéis em comício com "burros" e "esmolas" de Costa

Jerónimo e Maria Meira inverteram papéis em comício com "burros" e "esmolas" de Costa

O secretário-geral comunista inverteu hoje papéis com a candidata da CDU à Câmara de Almada e apontou o que falta fazer na cidade, enquanto Maria das Dores Meira disse que Costa "vai esmolando" o PRR pelos candidatos socialistas.

Foi o maior comício da CDU desde o arranque oficial da campanha autárquica. O vento forte não dissuadiu a enchente que estava concentrada na Praça da Liberdade, no coração de Almada. Era bastião da CDU desde 1976, mas há quatro anos o PS conquistou-o por apenas 313 votos.

Mas desta vez o ataque ao secretário-geral do PS e também primeiro-ministro, António Costa, foi feito pela presidente da Câmara de Setúbal e agora candidata a Almada, Maria das Dores Meira.

Para o PS "vale tudo", comentou, já que os socialistas apenas descobriram agora que Almada tem "recantos, tascas e atividades". No entanto, para a CDU, o concelho tem "almadenses, gente, pessoas, uma história, que não merecem ser tratados como burro que segue, tenta, mas não alcança, a cenoura que viu num pau à frente dos seus olhos".

Depois veio a crítica mais dura: "A propósito de burros, tenho de expressar a nossa indignação, que também será certamente a vossa, pela forma abusiva, e estou a evitar um adjetivo mais duro, que o primeiro-ministro tem usado ao anunciar que traz às costas o saco do dinheiro a que chamaram 'bazuca europeia' e vai esmolando por onde passa no apoio aos seus candidatos".

O "cidadão António Costa", continuou, tem a "habilidade" de "retirar à hora do almoço a gravata oficial de primeiro-ministro, abrir o botão de cima da camisa, arregaçar as mangas e oferecer aos candidatos do seu partido da tal 'bazuca', como se os da sua casa política pudessem ser favorecidos".

A cabeça de lista da CDU a Almada lembrou que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) "pediu-lhe que evitasse este dislate, este abuso, este atropelo à equidade na corrida eleitoral, exigindo ao cidadão António Costa o dever de neutralidade".

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"Será que vai respeitar a ética e a lei", questionou, acrescentando que "as queixas já chegaram também a Bruxelas".

O discurso da candidata recolheu aplausos da plateia, exceto quando, por lapso, elencou o que foi feito pela CDU em Almada "para usufruto de todos os setubalenses".

"Peço desculpa, almadenses. Peço muita desculpa, mas isto ainda não está no sítio", disse a autarca de Setúbal, que atingiu o limite de três mandatos nesse município e agora é a aposta para reconquistar Almada. Retificado o erro, prosseguiram os aplausos.

Já o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, apareceu rouco e culpou o dia de campanha anterior em Viana do Castelo, Braga, Porto, Gondomar e Guimarães, que "foi tão bonito" e, por isso, "valeu a pena a rouquidão".

Mas este problema não impediu o dirigente comunista de criticar a "candidatura dececionante" liderada pela presidente do município, Inês de Medeiros, "tão dececionante como foi o trabalho do PS" na autarquia, que "esbraceja nos últimos dias com anúncios sobre as obras que não fez, nem vai fazer".

"A candidatura do PS já se assume como oposição à CDU. É vê-los à pressa a oporem-se ao projeto e obra que a CDU representa", completou.

Há quatro anos, o resultado sorriu ao PS, mas agora Jerónimo de Sousa tem "fortes razões para encarar com confiança esta batalha".

"As populações comparam o antes com a CDU e o depois com o PS. Comparam o trabalho e a obra da CDU, que transformou este concelho numa referência da vasta Área Metropolitana de Lisboa, em contraste com os quatro anos últimos de paralisia e de retrocesso da gestão PS", sustentou.

Quatro anos "bastaram para ver como Almada andou para trás em muitos domínios", em particular na "vida cultural e popular", advogou.

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