Espanha

Ataque homofóbico em Madrid foi inventado para esconder infidelidade

Ataque homofóbico em Madrid foi inventado para esconder infidelidade

O suposto ataque homofóbico que teria ocorrido no passado domingo à tarde, no bairro de Malasaña, em Madrid, Espanha, foi desmentido pela alegada vítima, esta quarta-feira, que o inventou para encobrir uma infidelidade.

Um jovem de 20 anos tinha apresentado queixa no domingo, por volta das 17.15 horas, que um grupo de oito pessoas o tinha agredido e marcado nas nádegas a palavra "maricas", no bairro de Malasaña, em Madrid, mas tudo não passou de uma mentira. O caso tornou-se altamente mediático e com uma grande relevância política, com reações de vários partidos políticos e do presidente do governo, Pedro Sánchez.

Depois da denúncia, as autoridades começaram a investigar o caso e durante três dias não conseguiram encontrar provas do crime. Viram as câmaras de segurança das lojas e do município, mas só foi detetada a alegada vítima a entrar em casa tranquilamente. As autoridades também falaram com comerciantes das redondezas e com os vizinhos e nenhum tinha ouvido nem visto nada suspeito. Foi investigado o telemóvel do jovem e as suas redes sociais e descobriram que tinha combinado um encontrado sadomasoquista com mais duas pessoas.

Numa primeira fase, o jovem garantiu que não conhecia os autores das agressões mas, perante as suas contradições, foi chamado na tarde de quarta-feira para ser confrontado porque as provas que encontraram durante a investigação eram diferentes do que ele tinha relatado. Passado pouco tempo, o rapaz admitiu que tinha inventado uma história para que o seu companheiro não descobrisse a sua infidelidade.

"Na tarde de hoje, e graças ao trabalho da Polícia Nacional, o jovem, que no domingo denunciou uma agressão no bairro de Malasaña de Madrid, decidiu retificar a sua declaração inicial e informou que as lesões inicialmente denunciadas foram consentidas", comunicou o Ministro do Interior.

A polícia já acabou o relatório e vai enviá-lo ao Ministério Público, para o jovem ser julgado pelo crime de falsa denúncia, que tem penas entre seis meses e dois anos de prisão.

PUB

Antes de se ter conhecimento desta nova versão dos factos, o assunto mais abordado no debate que se gerou sobre o tema foi o aumento dos crimes de ódio e agressões. Pedro Sánchez, presidente do Governo espanhol, chegou mesmo a comentar o caso e sublinhou os valores da tolerância: "vamos a continuar a avançar na tolerância, respeito e integração na diversidade. Isto é o que a Espanha quer porque a Espanha é assim".

A Ministra da Igualdade, Irene Monteiro, depois de ter tomado conhecimento da nova versão, escreveu na sua sua conta do Twitter "Os delitos de ódio contra a comunidade LGBT aumentaram 43% no primeiro semestre de 2021".

A manifestação que foi convocada pela comunidade LGBT manteve-se mesmo depois de se saber toda a verdade. "A maioria não está a mentir. A maioria são agressões. Nós sabemos porque já as vivemos" referiu, Fátima Contreras, uma rapariga bissexual de 24 anos.

Mais Notícias (desktop)

Outros Conteúdos GMG