Tráfico

Cartéis mexicanos usam criptomoedas para lavar dinheiro

Cartéis mexicanos usam criptomoedas para lavar dinheiro

Os cartéis de traficantes de droga no México estão a recorrer cada vez mais à internet, às moedas digitais e ao comércio eletrónico para lavar dinheiro e vender estupefacientes, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas. Os cálculos apontam para 23 mil milhões de euros por ano transacionados através destes esquemas.

Num documento da Comissão Internacional de Controlo de Narcóticos (INCB, na sigla em Inglês) assinala-se que o cartel Nova Geração, de Jalisco, e do Sinaloa estão a usar de forma crescente compras de criptomoedas, em canais virtuais e em pequenas quantidades, para evitar os controlos de lavagem de dinheiro.

"Tanto os grupos criminosos organizados mexicanos quanto os colombianos estão a aumentar o uso de moedas virtuais devido ao anonimato e à rapidez das operações", lê-se no relatório apresentado há dias em Viena de Áustria e na Cidade do México, pela JIFE (Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes), que cita conclusões da agência americana antidrogas, DEA.

Depois de dividirem as receitas do tráfico em pequenas parcelas, para evitar os controlos, "os cartéis usam as contas para comprar online pequenas quantidades de criptomoedas, obscurecendo a origem do dinheiro e conseguindo assim pagar aos associados em qualquer parte do Mundo", lê-se no documento.

Por outro lado, destaca-se ainda que "as vendas online têm um impacto significativo" na venda de estupefacientes. Com frequência, sites na internet publicitam comprimidos com fentanil, como Xanax, Adderall ou Oxicodona. Segundo Raúl Martin del Campo, membro do INCB, "a maioria das pessoas ignora que estão a usar fentanil".

O México debate-se há 15 anos com uma onda de violência vinculada ao narcotráfico, que tem potenciado outros crimes, como o roubo de combustíveis e o tráfico de migrantes que tentam chegar aos Estados Unidos.

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Mais de 340 mil homicídios foram registados no país desde dezembro de 2006, quando o governo lançou uma polémica operação militar antidrogas, segundo dados oficiais que atribuem a maioria dos homicídios ao crime organizado

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