Política

Ingrid Betancourt anuncia candidatura à presidência da Colômbia

Ingrid Betancourt anuncia candidatura à presidência da Colômbia

A política colombiana Ingrid Betancourt, que foi mantida refém durante seis anos pelo maior grupo guerrilheiro da Colômbia, anunciou esta terça-feira que vai concorrer à presidência do seu país.

O anúncio ocorre quase duas décadas depois de Betancourt ter sido sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), quando também concorria à presidência pelo Partido do Oxigénio Verde, um movimento que fundou quando era congressista.

"Hoje, estou aqui para terminar o que comecei, com muitos de vocês, em 2002", disse Betancourt, ao anunciar a sua candidatura.

"Estou aqui para reivindicar os direitos de 51 milhões de colombianos que não encontram justiça, porque vivemos num sistema desenhado para recompensar criminosos", argumentou a futura candidata.

Betancourt passou seis anos em campos de guerrilha nas profundezas da selva amazónica, onde várias vezes combatentes rebeldes das FARC a amarraram a árvores, com correntes de metal, para impedi-la de fugir.

O seu tempo em cativeiro terminou em 2008, através de uma operação militar, onde soldados colombianos disfarçados de trabalhadores humanitários resgataram Betancourt e vários outros reféns das mãos das FARC, sem disparar uma única bala.

Desde essa altura, Betancourt retirou-se da vida pública, passando grande parte do seu tempo com a família, em França.

PUB

No ano passado, Betancout regressou ao cenário político na Colômbia, quando o país se preparava para as eleições presidenciais, que decorrerão em maio próximo.

Ao anunciar a sua candidatura à presidência, Betancourt prometeu que lutará para acabar com a impunidade de políticos corruptos, bem como colocar um fim à disparidade económica que há muito atinge a Colômbia, que tem provocado manifestações de descontentamento popular.

Betancourt será novamente candidata pelo Partido do Oxigénio Verde, que agora faz parte de uma coligação de movimentos políticos centristas, que realizará eleições primárias em março.

Nestas primárias, Betancourt terá de concorrer com candidatos mais jovens, menos conhecidos internacionalmente, mas que estiveram mais recentemente envolvidos na política colombiana.

Entre eles, encontram-se o senador Juan Manuel Galan, cujo pai foi assassinado no final dos anos 80, quando concorria à presidência, e Alejandro Gaviria, um ex-ministro da Saúde que ajudou a desenvolver um projeto que eliminou a fumigação aérea de plantações de coca.

Sergio Guzman, um analista político em Bogotá, considera que, com mais de uma dúzia de candidatos a disputar a presidência e faltando apenas dois meses para as primárias, será difícil a Betancourt afirmar-se nesta corrida eleitoral.

"O principal sentimento agora entre os eleitores é de frustração com um sistema que não oferece oportunidades. E há outros candidatos que têm feito um bom trabalho aproveitando esse sentimento", defendeu Guzmán.

As mais recentes sondagens são lideradas por Gustavo Petro, um ex-presidente da Câmara de Bogotá, de esquerda, que apoiou manifestações contra as propostas de aumento de impostos e que prometeu que deixará de conceder contratos de exploração a empresas petrolíferas, como parte de um plano para diminuir a dependência da Colômbia das receitas do petróleo.

O segundo candidato mais popular nas sondagens é Rodolfo Hernandez, magnata do setor imobiliário e ex-presidente da Câmara de Bucaramanga, que prometeu combater burocratas corruptos e que disse, numa reunião com o embaixador dos EUA na Colômbia, que gostaria de legalizar as drogas, como parte de um esforço para reduzir a violência no país.

RJP // PDF

Mais Notícias (desktop)

Outros Conteúdos GMG