89.º dia de guerra

Mão pesada para crimes de guerra e o pedido de "sanções convincentes" para Moscovo

Mão pesada para crimes de guerra e o pedido de "sanções convincentes" para Moscovo

Ao 89.º dia chega a primeira sentença para um soldado russo acusado de cometer crimes de guerra. Vadim Chichimarine foi condenado a prisão perpétua. Enquanto a justiça mostra a sua força, as atrocidades cometidas pelo exército de Putin veem a público. 150 corpos recuperados dos escombros na região de Kharkiv e 87 pessoas morreram num ataque russo a uma base militar ucraniana, a 17 de maio. Zelensky voltou a apelar à comunidade internacional por "sanções convincentes" contra Moscovo.

- O primeiro e único, para já, militar russo a ser julgado por crimes de guerra na Ucrânia foi condenado a prisão perpétua. Vadim Chichimarine, sargento do exército russo, confessou em tribunal ter matado um civil ucraniano e pediu desculpa à viúva de Oleksandr Shelipov, de 62 anos, apesar de garantir que estava apenas a cumprir ordens. Quando questionado sobre se admitia "sem reservas" todo os atos de que é acusado, incluindo atos que constituem crimes de guerra e acusações de assassínio premeditado, o sargento russo respondeu "sim". O advogado do réu anunciou que vai recorrer da sentença.

- 150 corpos foram recuperados dos escombros de 98 locais na região de Kharkiv, no leste da Ucrânia, uma das zonas mais bombardeadas pelas forças russas desde o início da invasão. A região de Kharkiv e a sua capital, com o mesmo nome e a segunda cidade mais importante do país, foi uma área particularmente muito bombardeada pelos russos, que pretendiam obter acesso às regiões pró-russas no Donbass.

- Todos os militares que estiveram entrincheirados na siderúrgica Azovstal até se renderem, na semana passada, estão presos na autoproclamada República Popular de Donetsk, controlada pela Rússia, disse o líder separatista Denis Pushilin à agência russa Interfax. O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) vai verificar as condições de detenção e tratamento dos prisioneiros de guerra, evitar que desapareçam e manter contacto com as suas famílias, informou a agência local Ukrinform.

- Volodymyr Zelensky apelou no Fórum Económico Mundial, em Davos, para "sanções convincentes" contra Moscovo, incluindo a suspensão de relações comerciais, e convidou as empresas estrangeiras a mudarem-se da Rússia para a Ucrânia. Disse ainda que as sanções têm de ir mais longe para impedir a agressão da Rússia, incluindo um embargo petrolífero e o bloqueio de todos os seus bancos. A Ucrânia precisa de um financiamento de pelo menos cinco milhões de dólares por mês, o equivalente a mais de 4600 milhões de euros ao câmbio atual.

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-Um diplomata da delegação da ONU em Genebra, Boris Bondarev, de 41 anos, enviou, hoje de manhã, uma carta aos seus homólogos de outros países, na qual critica a "guerra agressiva desencadeada" pelo presidente Vladimir Putin. "Em 20 anos de carreira diplomática, vi diferentes reviravoltas na nossa política externa, mas nunca tive tanta vergonha do meu país como a 24 de fevereiro deste ano", escreveu, referindo-se à data da invasão da Ucrânia pela Rússia. Boris Bondarev demitiu-se.

- O presidente ucraniano disse hoje que 87 pessoas morreram num ataque russo a uma base militar ucraniana no norte do país, a cerca de 60 quilómetros a norte de Kiev. Este ataque pode ser um dos mais mortais pelos bombardeamentos russos na Ucrânia desde o início da guerra.

- A empresa Starbucks anunciou que vai sair, definitivamente, da Rússia, depois de ter fechado temporariamente os seus 130 cafés naquele país, mas vai manter o pagamento do salário de cerca de dois mil trabalhadores por seis meses. A cadeia junta-se assim ao McDonald's, que anunciou, na semana passada, que iria abandonar o mercado russo, após a invasão da Ucrânia.

- O presidente da Ucrânia anunciou, no domingo, que o governo da Polónia está a preparar uma proposta de lei que dará aos ucranianos residentes na Polónia os mesmo direitos que os polacos. A lei dará aos ucranianos que "residem temporariamente" na Polónia "as mesmas oportunidades que os polacos", disse Volodymyr Zelensky, num discurso.

- Equipas de sapadores de engenharia militar russas estão a levar a cabo operações de desminagem do extenso perímetro da fábrica Azovstal, na cidade ucraniana de Mariupol. Segundo o Ministério da Defesa russo foram neutralizados "mais de uma centena de artefactos" (não especificados).

- Mais de 6,5 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa a 24 de Fevereiro, segundo a agência das Nações Unidas para os refugiados. O número de pessoas deslocadas de suas casas devido a conflitos em todo o mundo atingiu um recorde de 100 milhões, impulsionado pela guerra na Ucrânia, anunciou o alto-comissário da ONU.

- Portugal atribuiu, até esta segunda-feira, 38 278 proteções temporárias a cidadãos ucranianos e a estrangeiros que residiam na Ucrânia, 25 026 dos quais a mulheres e 13 252 homens, segundo a última atualização feita pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

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