Tribunal

"Ninguém fez nada!", disse Carlota, abusada na casa mais vigiada de Espanha

"Ninguém fez nada!", disse Carlota, abusada na casa mais vigiada de Espanha

Terminou a fase de instrução do processo que envolve um episódio de abuso sexual que terá ocorrido durante o Big Brother espanhol, em 2017.

Carlota Prado, 25 anos, ex-concorrente do "Gran Hermano" (versão espanhola do "Big Brother", da produtora Zeppelin TV) e suposta vítima de abuso sexual dentro da casa do "reality show" da Telecinco, recordou perante uma juíza, durante meia hora, a noite que viria a virar-lhe a vida do avesso. "Há muita gente a trabalhar ali e ninguém fez nada!", exclamou em tribunal, a 5 de dezembro de 2018, dá conta o jornal espanhol "El País", que agora teve acesso ao vídeo do testemunho.

Carlota contou como foi alvo de abuso sexual por parte de José María López, com quem mantinha uma relação dentro da casa quando ambos eram concorrentes, em 2017, numa altura em que não estava consciente (tinha bebido álcool, oferecido à casa pela produção). Num programa que implica o olhar atento de dezenas de produtores e assistentes, ninguém separou Carlota e José: continuaram juntos toda a noite e só na tarde do dia seguinte é que o concorrente foi expulso e Carlota informada pela produção, no confessionário, do que tinha acontecido, com as imagens da noite anterior a confirmarem-lhe aquilo em que não queria acreditar. Mais: foi-lhe aconselhado, na altura, que não falasse sobre o assunto.

"As decisões de não informar os concorrentes do incidente e de se ter pedido a Carlota que não o mencionasse naquele momento foram tomadas de boa fé pela equipa da produção, a fim de de proteger a sua privacidade e porque o incidente iria ser reportado à Polícia", esclareceu a empresa há alguns meses, quando lamentou que o momento em que a jovem soube do alegado abuso tenha sido gravado, embora não transmitido.

O suposto crime de abusos sexuais ainda não foi julgado mas a instrução do caso - fase que determina se um processo deve ou não serguir para julgamento - já terminou. O Ministério Público pede dois anos e seis meses de prisão para o acusado.

Além da suposta vítima e do suposto agressor, os responsáveis da Zeppelin TV, nomeadamente o diretor, Álvaro Díaz, o produtor-executivo do programa, Florentino Abad, e a supervisora responsável naquela noite, María Robles, também foram ouvidos em tribunal. Em todas as audiências, a quantidade de álcool disponibilizada pela produção aos concorrentes foi assunto, com alguns a admitirem que poderá haver excessos.

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