Após denúncia

Comissão para a Cidadania envia ficheiro com discriminação a mulher negra

Comissão para a Cidadania envia ficheiro com discriminação a mulher negra

A Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) enviou um ficheiro de vídeo de apoio ao projeto "Violência Sexual nas Relações de Intimidade", com uma denominação discriminatória: a imagem de uma mulher branca era identificada apenas como "mulher", enquanto a mulher negra é distinguida pela cor da pele. E seguiu assim para escolas e outras entidades públicas. Entretanto, já procedeu à correção.

A CIG nega responsabilidade e afirma não ter verificado a designação dos ficheiros, antes de distribuir os ficheiros pelos parceiros.

A denominação em causa - "04_mulher_negra.mp4" - foi denunciada, na segunda-feira, na conta pessoal do Facebook do economista Ricardo Paes Mamede, professor no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa e comentador em vários meios de informação.

Na publicação, Paes Mamede comenta a importância da campanha da CIG, em parceria com a Associação para o Planeamento da Família, mas lastima a "forma desastrada como resolveram intitular alguns dos materiais".

Comentando as designações das imagens divulgadas, assinala: "Uma mulher branca é uma mulher. Uma rapariga branca é uma rapariga. Um homem branco é um homem. Uma mulher negra não é apenas uma mulher". E remata: "Isto é a promoção da cidadania e da igualdade. Imaginem se não fosse".

Solicitada pelo JN a explicar o incidente, a CIG indicou que os materiais digitais da campanha - um vídeo de alerta e e um manual de boas práticas para profissionais de setores estratégicos para a campanha (saúde, educação, segurança social, justiça e segurança), também parceiros na iniciativa - foram concebidos por uma entidade externa.

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Além de dar orientações, a CIG "solicitou que as imagens a desenvolver contemplassem um conjunto de pessoas e mulheres representativas da sociedade na sua diversidade, visando não excluir ninguém", esclarece em resposta escrita.

"A CIG recebeu os referidos materiais já com nomes identificativos e respetivas extensões, que enviou para os seus parceiros para que fossem disseminados internamente, não tendo na altura verificado a denominação atribuída, situação que foi corrigida após ter sido alertada por uma publicação no Facebook que faz referência à disponibilização dos materiais em bruto numa Google Drive de um estabelecimento de ensino", acrescenta.

Face ao alerta, assegura a Comissão, "procedeu-se, de imediato, à redenominação dos referidos ficheiros, usando linguagem neutra, tendo também sido imediatamente avisados todos os parceiros da campanha de que deveriam alterar a denominação dos ficheiros".

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