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Pedro Nuno: reformas na ferrovia e habitação vão "transformar" vida do país

Pedro Nuno: reformas na ferrovia e habitação vão "transformar" vida do país

O ministro das Infraestruturas afirmou que estão em curso reformas "profundas, duradouras e estáveis" na ferrovia e na habitação. No Parlamento, Pedro Nuno Santos disse ter uma visão reformista oposta à da Direita, que acusou de esperar "milagres" apostando na desregulação. "Sã​​​​o as boas soluções coletivas que aumentam a liberdade individual", contrapôs, embora admitindo que será preciso tempo e investimento para as levar a cabo.

"Para o PS, ao contrário da Direita, fazer reformas não é privatizar, liberalizar, desregular e esperar que os milagres aconteçam", afirmou o ministro, no debate do Orçamento do Estado. "Para nós, reformas são aquelas que convocam os setores público, privado, social e académico e criam as condições para que estes, em cooperação, melhorem a riqueza ou transformem a vida em comunidade", referiu.

Pedro Nuno Santos considerou que "foi a ausência de boas políticas coletivas que empurrou as pessoas para soluções individuais como a dependência excessiva do automóvel e do crédito à habitação". Para o ministro, os investimentos em habitação e na mobilidade públicas "traz justiça à partilha do espaço urbano e democratiza a experiência de liberdade".

O ministro disse ter três grandes prioridades para a ferrovia: a eletrificação de toda a rede "até ao final da década", o reforço da capacidade nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto e a construção de uma linha de alta velocidade entre e a capital e a Invicta.

Sobre esta última, referiu que permitirá "reduzir muito os tempos de viagem" entre as maiores cidades do país e entre estas e o Interior, além de contribuir para "mudar radicalmente como se vive, trabalha e viaja em Portugal". "Se isto não é uma reforma profunda e estrutural, não sei o que será", atirou, visando a Direita.

Já sobre a habitação, lamentou que, "durante décadas", o país tenha acreditado que "o mercado resolveria o problema". A "ausência crónica" de investimento público no setor fez com que, atualmente, apenas 2% das habitações do país pertençam ao parque público.

Em consequência, há hoje uma "carência gravíssima de habitação a preços que as famílias consigam suportar", reconheceu. Mas disse acreditar nos efeitos das mudanças que estão a ser implementadas e repetiu, em tom de desafio: "Se isto não é uma reforma profunda e estrutural, não sei o que será".

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Ainda assim, Pedro Nuno Santos avisou que resolver os problemas da ferrovia e da habitação "vai demorar anos e muito investimento público", uma vez que "não há balas de prata" com receitas mágicas. O governante falou, por isso, da importância do "tempo longo" para corrigir problemas e implementar este tipo de reformas.

PSD e IL falam do "buraco da TAP"

A ida do ministro das Infraestruturas ao Parlamento ficou, no entanto, também marcada pela questão da TAP, trazida em primeiro lugar pela IL. "Eu achava óptimo que o sr. ministro ficasse para a História como o ministro dos comboios. Mas, infelizmente, vai ficar para a História como o ministro do buraco da TAP", ironizou Carlos Guimarães Pinto.

Em concreto, o deputado liberal quis saber por que motivo Portugal colocou na empresa "mais do dobro do dinheiro" alocado por outros países para as respetivas companhias aéreas se, como consta no Orçamento do Estado, o impacto da pandemia na TAP "foi semelhante ao de outras companhias". Nesse caso, o assunto foi "muito mal gerido", frisou.

Na resposta, Pedro Nuno acusou a IL de ser "monotemática" por apenas falar em redução de impostos, ironizando que essa receita "há-de ser solução para a falta de água ou para a erosão costeira ou para ganharmos da próxima vez o Festival da Eurovisão".

Mais a sério, explicou que a TAP teve um auxílio financeiro superior a outras companhias "porque já tinha problemas antes da pandemia", recusando deixar cair "um dos principais exportadores do país".

Paulo Moniz, do PSD, descreveu a TAP como "incineradora" do dinheiro dos impostos dos portugueses, referindo que, em 2020, a empresa recebeu 1200 milhões de euros e, em 2021, foi auxiliada em 1600 milhões. No ano passado, "por cada dia que passou, a TAP incinerou 4,4 milhões de euros", estimou o deputado.

O também social-democrata António Topa Gomes falou de habitação para denunciar que há hoje "60 mil famílias em habitação indigna". O deputado sugeriu que os alertas de Pedro Nuno quanto à necessidade de dar tempo ao tempo para a realização das reformas visam prevenir, desde já, o país para prováveis atrasos.

Paula Santos, do PCP, denunciou as deficiências ferroviárias nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, referindo que "não adianta construir linhas se depois não há comboios". Sobre habitação, falou dos custos "altamente especulativos" e do facto de "cada vez mais famílias recearem perder a sua casa". Se, para já, há obras públicas que avançam, "quando acabar o PRR, como vai ser?", indagou.

Mariana Mortágua, do BE, afirmou que Pedro Nuno tem "uma boa teoria" mas que "a prática do Governo é outra", acusando o Executivo de estar "sentado em cima de vistos gold" e de benefícios a residentes não habituais ao mesmotempo que as famílias são atiradas para condições "degradantes". "O PS desistiu e entregou os portugueses à sorte de um mercado livremente inflacionado. Os liberais não fariam pior", vincou.

Filipe Melo, do Chega, argumentou que não há mais gente a andar de comboio devido à "insegurança", pedindo um reforço do policiamento.

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