OE2022

PSD diz que perda de poder de compra equivale a corte no subsídio de férias

PSD diz que perda de poder de compra equivale a corte no subsídio de férias

Os partidos políticos, da Esquerda à Direita, confrontaram o ministro das Finanças, Fernando Medina, com a necessidade de subir os salários dos portugueses de modo a combater a inflação. Aludindo aos dados divulgados esta sexta-feira pelo INE, que dão conta de uma inflação já nos 7,2%, Duarte Pacheco, do PSD, afirmou que há quem vá perder "um salário inteiro" até ao final do ano.

"Aquilo que temos é uma perda real de rendimentos", afirmou Duarte Pacheco esta sexta-feira, no Parlamento, no segundo dia do debate sobre o Orçamento do Estado (OE) na generalidade. O deputado lembrou que o Governo apenas previu uma inflação de 4% e que só atualizou os salários da Função Pública em 0,9%.

"Na prática, as pessoas vão perder um salário inteiro" até ao final do ano, prosseguiu Duarte Pacheco, equiparando esse fenómeno a "uma taxa suplementar" que retiraria o subsídio de férias ou de Natal a todos os funcionários públicos.

Nesse sentido, o parlamentar social-democrata deixou uma pergunta a Fernando Medina: "Mantém-se na sua teimosia e rigidez, em que se as pessoas perderem poder de compra, paciência, ou está disponível para fazer uma atualização que corresponda à atualização [salarial] do poder de compra face a inflação?", questionou.

Minutos antes, o ministro das Finanças tinha dito que qualquer aumento salarial neste momento seria "ilusório" e anulado pela subida dos preços.

Medina tem "os argumentos da Direita", acusa BE

Mariana Mortágua, do BE, acusou Medina de ter "os argumentos da Direita". "Há um ministro que permite um corte salarial de mais de 3% aos funcionários públicos e que diz que o faz por prudência", afirmou a deputada, acrescentando que, tal como o PSD fez no passado, também o governante "não hesita em convocar o diabo de uma qualquer crise futura".

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"Não me admirava mesmo que, num dia de maior entusiasmo, deixasse escapar um 'não podemos viver acima das possibilidades", ironizou Mariana Mortágua, afirmando que, embora as regras orçamentais europeias estejam suspensas, Medina prefere "reduzir mais o défice em nome de uma crise que há-de vir, mesmo que isso prejudique o crescimento económico hoje".

Bruno Dias, do PCP, acusou o Governo de "desenterrar a doutrina cavaquista do pelotão da frente" e de colocar o défice "acima de tudo", ainda que isso interesse, sobretudo, "à Comissão Europeia" e não aos trabalhadores. "Ficámos esclarecidos sobre o que o país pode esperar desta maioria absoluta", frisou.

O comunista também considerou que o investimento público está hoje em níveis de "indigência". Argumentou que é "um logro" ver o PRR "como bóia de salvação" neste capítulo, uma vez que este é uma mera "antecipação de receitas futuras que o país vai perder mais adiante".

Fernando Medina não respondeu nem à pergunta da bancada do Chega, que o questionou sobre os encargos do Estado com bancos falidos, nem às da IL. O líder da bancada liberal, Rodrigo Saraiva, afirmou que apenas chegaram às empresas cem mil euros via PRR.

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