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Há um filme que junta Pessoa, Saramago e João Botelho. A preto e branco

Há um filme que junta Pessoa, Saramago e João Botelho. A preto e branco

Fernando Pessoa criou Ricardo Reis, seu heterónimo, que José Saramago fez regressar a Lisboa para escrever um romance que João Botelho transpôs para o cinema. O retrato do país e do Mundo, a ditadura, o fascismo, o nazismo. O amor e a poesia. "O ano da morte de Ricardo Reis" estreia a 1 de outubro. A preto e branco.

Aqui o mar acaba e a terra principia. Chove sobre a cidade pálida, as águas do rio correm turvas de barro, há cheia nas lezírias." O livro começa assim. Um barco atraca no cais de Alcântara. Um mês depois da morte de Fernando Pessoa, Ricardo Reis desembarca em Lisboa, após o exílio de 16 anos no Brasil. Um telegrama de Álvaro de Campos avisou-o da morte do criador que o fez nascer em 1887, sem dia nem mês, no Porto, sem indicar o ano da morte.

José Saramago traz o médico, monárquico, que não conseguiu suportar a consolidação da República e partiu para o outro lado do Atlântico. O poeta das odes clássicas tem 48 anos, regressa ao país, e fica frente a frente com o seu criador, que tem apenas nove meses, o tempo de uma gestação, para ser esquecido. "O ano da morte de Ricardo Reis", livro escrito por Saramago em 1984, chega ao cinema pela mão do realizador João Botelho. Com as sombras, o preto e o branco, os cinzentos e a luminosidade que o romance de Saramago pede. As antestreias acontecem hoje, domingo, no Teatro São João, no Porto, e amanhã no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Nos dias seguintes, 22 e 23, há sessões ao público no CCB, às 21 horas. A 1 de outubro, estreia em mais de 20 salas de cinema.

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