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Afonso Reis Cabral

O Fantástico Jardim Zoológico de São Vicente

Que tinha eu? Oito anos, um pato-mudo que nunca seria eloquente, um aviário com pássaros incontidos (pesquisem as cores do diamante-de-gould), três porquinhos-da-índia que guinchavam poesia - citavam versos em estrangeiro - e dois coelhos que me olhavam sobranceiros, não sei porquê. E já não tinha as codornizes que um dia levara para o "show and tell" da escola, em que as soltei pelo chão da sala e pelo espanto dos meus amigos, que sabiam lá o que era a comida longe do prato. Já não as tinha porque elas a qualquer perigo se descompunham, perdiam a cabeça. Fácil e simplesmente a perderam quando um gato lhes falou manso e as levou para jantar depois de corridos os pescoços pela guilhotina dos caninos. Ficaram, para eu as encontrar, as cabeças com ar de perdimento.