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António José Gouveia

Situação de "perde ou perde"

Os indicadores claramente positivos de Portugal em termos de crescimento económico, como uma redução do desemprego, um aumento das exportações e um crescimento moderado da riqueza do país depois de dois anos de pandemia, podem estar em causa num futuro ao virar da esquina. Portugal, sempre dependente do espetro internacional, pode ver-se confrontado com a turbulência evidente da inflação alta em muitas das principais economias. A dupla crise da pandemia e da guerra na Ucrânia desencadeou um conjunto de elementos que agora promovem um ciclo de alta dos preços. Os Estados Unidos e a União Europeia, incluindo Portugal, registam taxas de inflação desconhecidas há décadas.

António José Gouveia

Dar música a Putin

Praticamente na mesma altura em que a Finlândia anunciava formalmente a candidatura de adesão à NATO, um ato político de forte impacto mediático acontecia também em Turim, Itália. A Ucrânia vencia o festival da Eurovisão com a Kalush Orchestra a esmagar com os votos do público europeu. Ou seja, à medida que a invasão russa à Ucrânia se aproxima da marca dos três meses, quase toda a Europa parou no sábado para homenagear o esforço de resistência do povo ucraniano. Depois da Rússia ter sido banida do concurso logo no início da guerra, Putin volta a juntar duas derrotas numa só: mais isolamento para Moscovo dos grandes palcos internacionais e vizinhos cada vez mais desconfiados das verdadeiras intenções do Kremlin. Depois de 75 anos de neutralidade, a Finlândia não quer voltar a viver a "Guerra de Inverno", quando, em 1939, mais de 400 mil soldados, milhares de tanques, aviões e artilharia pesada invadiram o país. Se Putin não queria a adesão da Ucrânia à NATO, os seus movimentos bélicos provocaram agora uma Aliança Atlântica plantada em mais 1300 quilómetros na sua fronteira com a Finlândia. Isto sem esquecer que a Suécia será a próxima.

António José Gouveia

Da leveza à dureza

1. A vida normal não pode esperar. E todos já sabíamos que, provavelmente, este será o futuro. Espanha deverá ser o primeiro país a mudar radicalmente os protocolos para conter a doença a bem das relações humanas e da economia e a começar a olhar para a covid como uma simples gripe. A nossa clarividência em relação ao SARS-Cov2 é cada vez maior. Pelo que tem de ser acompanhada por protocolos cada vez menos rígidos, à medida que mais pessoas tenham tido contacto com o vírus, tendo em atenção que a larga maioria da população já está vacinada. O Governo espanhol prepara-se para mudar tudo. Ou seja, sem contar os casos e sem pedir provas ao menor dos sintomas. Ou seja, observar a covid como mais uma doença respiratória. Este é passo que tem tudo de perigoso e de corajoso, mas Pedro Sánchez está disposto a avançar. Uma estratégia que, segundo o jornal "El País", estava a ser preparada desde o verão de 2020 e deverá ser implementada depois de controlada a sexta vaga. Por cá, com eleições à porta, nem Governo nem oposição querem falar sobre uma estratégia de combate ao vírus. É mais importante o tema da prisão perpétua ou se os cidadãos podem ou não quebrar o isolamento para votar, como se isso já não estivesse mais do que esclarecido.

António José Gouveia

Quem cala consente

A Igreja Católica francesa, apesar de preservar o segredo da confissão, agiu energicamente ao lidar com os abusos sexuais de menores no seu seio. Por sua iniciativa, a Conferência Episcopal francesa encomendou uma investigação a uma comissão independente, que trabalhou sem restrições. Os dados do relatório são avassaladores: pelo menos 216 mil menores foram vítimas de abusos ou violência sexual, entre 1950 e 2020, por mais de 3300 padres e religiosos.