Opinião

Da leveza à dureza

1. A vida normal não pode esperar. E todos já sabíamos que, provavelmente, este será o futuro. Espanha deverá ser o primeiro país a mudar radicalmente os protocolos para conter a doença a bem das relações humanas e da economia e a começar a olhar para a covid como uma simples gripe. A nossa clarividência em relação ao SARS-Cov2 é cada vez maior. Pelo que tem de ser acompanhada por protocolos cada vez menos rígidos, à medida que mais pessoas tenham tido contacto com o vírus, tendo em atenção que a larga maioria da população já está vacinada. O Governo espanhol prepara-se para mudar tudo. Ou seja, sem contar os casos e sem pedir provas ao menor dos sintomas. Ou seja, observar a covid como mais uma doença respiratória. Este é passo que tem tudo de perigoso e de corajoso, mas Pedro Sánchez está disposto a avançar. Uma estratégia que, segundo o jornal "El País", estava a ser preparada desde o verão de 2020 e deverá ser implementada depois de controlada a sexta vaga. Por cá, com eleições à porta, nem Governo nem oposição querem falar sobre uma estratégia de combate ao vírus. É mais importante o tema da prisão perpétua ou se os cidadãos podem ou não quebrar o isolamento para votar, como se isso já não estivesse mais do que esclarecido.

2. A leveza das notícias que veem de Espanha contrasta com as que nos chegam da Austrália. Um simples torneio de ténis está a tornar-se num caso muito feio só porque o sérvio Novak Djokovic se recusa a cumprir as regras do país como qualquer outro estrangeiro. O tenista goza com os cidadãos australianos submetidos a medidas duras há demasiado tempo quando ainda recentemente recusou vacinar-se. Tenta agora forçar novas regras para defender o seu título no Open da Austrália aproveitando-se da condição de estrela mundial. Infelizmente, o sérvio não foi o único interessado em jogar em Melbourne. Os organizadores têm bastante culpa. Ainda bem que o Governo lhe retirou o visto. Até porque, para evitar este imbróglio, bastava vacinar-se e seguir as recomendações da ciência. Não o fez e terá de assumir as consequências.

*Editor-executivo

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