Opinião

Fortaleza europeia

Depois de um início titubeante - em grande parte devido a problemas de fornecimento e dúvidas acerca dos efeitos colaterais -, o processo de vacinação atingiu um ritmo admirável, muito à custa da logística impressa pelo vice-almirante Gouveia e Melo e de todos os profissionais envolvidos.

Há ano e meio elogiávamos os profissionais de saúde por estarem na linha da frente do combate à pandemia. Convém não esquecer que quem vacina também está na mesma luta. Mas não se veem homenagens nem cordões humanos de solidariedade. A verdade é que o ritmo de vacinação está na vanguarda mundial, apanhando países que começaram com muito melhor ritmo, como os Estados Unidos ou o Reino Unido.

Ainda bem que as manifestações antivacina, como as que vimos neste fim de semana em França e Itália, são residuais em Portugal. Não mereceríamos estes tipo de movimentos depois de todo o esforço coletivo que andámos a fazer nestes mais de sete meses. Para este êxito terá também contribuído a gestão da Comissão Europeia com as operações de compra centralizada das doses. Mais do que ao Governo, os cidadãos portugueses deveriam agradecer às instituições europeias e dar o verdadeiro valor de estarmos incluídos neste projeto de construção da Europa. É neste momento difícil e de algum pânico que devemos apreciar a extraordinária fortaleza que é estarmos na União Europeia e que é agora reforçada com a paulatina entrega de fundos para sairmos da crise. Portugal vai chegar a 70% da população com vacinação completa no final deste mês e, promete António Costa, com 85% em setembro. São boas notícias, mas que não nos devem fazer vacilar. Os casos continuam a subir e a mortes vão acontecendo todos os dias. E ainda há o risco de o ritmo de vacinação começar a abrandar, não só porque haverá pessoas recalcitrantes em relação à imunização, mas também porque há menos por vacinar. Sobre a terceira dose, são contas de outro rosário.

Editor-executivo

Mais Notícias (desktop)

Outros Conteúdos GMG