Opinião

Nuclear é energia "verde"?

Nuclear é energia "verde"?

Na semana passada, houve uma decisão polémica que passou ao lado de muitos. Foi em França, quando Emmanuel Macron anunciou o reforço da energia nuclear nas próximas décadas, à revelia dos seus parceiros europeus, como a Alemanha ou a Espanha, que têm como objetivo fechar as centrais que restam.

O relógio climático faz tiquetaque para o desastre e, para evitar essa catástrofe, o consenso é que o Mundo deve caminhar para uma produção de energia baseado em fontes renováveis, limpas e baratas. Do outro lado da moeda, está o gás, que sujeita toda a Europa a um risco geopolítico de depender da Rússia e do Norte de África. A energia nuclear, uma enorme fonte de discórdia, oferece, estranhamente, o seu lado "verde" a curto prazo - devido a emissões de carbono muito limitadas -, mas também uma potencial devastação provocada por acidentes nucleares como os de Fukushima ou de Chernobil. A decisão francesa chegou a Bruxelas como um míssil e estalou a controvérsia com duas fações bem marcadas. Uma dezena de países, encabeçada pela França, usa a energia nuclear para seu abastecimento. Outros, como a Alemanha ou Espanha, pretendem encerrar as suas centrais e virar-se para outras fontes. Perante as metas agora impostas na cimeira de Glasgow, é lógico para a Europa continuar a depender do gás russo e norte-africano, tendo em atenção que a produção da energia elétrica vai subir exponencialmente com a eletrização, por exemplo, dos carros e transportes públicos? É esse o elefante numa loja de porcelana. Perante este cenário, há uma série de países que estão a resistir ao fim do nuclear, pelo menos durante algum tempo, para conseguir reduzir as emissões de CO2 até 2030. É o caso da França. Nunca antes ninguém tinha imaginado que o nuclear poderia ser ambientalmente bom. É essa a grande revolução. E a discussão já chegou ao nosso vizinho. Espanha, cuja a opinião pública é antinuclear, já está a pensar se não seria melhor adiar o encerramento das centrais perante uma escalada de preços da luz nunca antes vista e uma transição ecológica mais rápida com - imagine-se - o contributo da energia nuclear.

Editor-executivo

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