Opinião

Penso rápido

As mais recentes medidas do Governo para que os preços da eletricidade praticados no mercado grossista não cheguem aos consumidores e às empresas não são mais do que um penso rápido.

Daqueles que, quando cortamos um dedo, param o sangue, mas não curam a ferida. E se o corte for muito profundo, que é o caso, há a necessidade de irmos à Urgência. Ora, para já, o que o Governo está a fazer não é mais do que, com alguns milhões de euros, atenuar a escalada de preços. Chegará o dia em que, perante esta impossibilidade, e se não quiserem a população na rua, o Governo terá de amortecer os custos para serem pagos mais tarde, voltando a subir o défice tarifário. Uma medida fácil, uma vez que este défice não entra nas contas do Orçamento do Estado porque é pago por todos os consumidores. Para lá de o ministro do Ambiente dizer que será discutida uma proposta de alteração ao IVA da luz no próximo Orçamento do Estado e o ministério dizer o seu contrário, o problema da escalada de preços é de uma dimensão gigante e que não será resolvida por um só país nem por uma baixa de impostos. Está intimamente ligado à exponencial subida do preço do gás natural na Europa (grande parte da luz é produzida por centrais de ciclo combinado, ou seja, entra gás natural e sai eletricidade). O que acontece é que nem a produção de eletricidade através das renováveis ou mesmo da odiada energia nuclear está a conseguir atenuar. Vários estudos apontam que o preço da eletricidade se vai manter elevada durante, pelo menos dois anos, e espera-se que só em 2024 se chegue aos 57 euros por megawatt/hora em vez dos atuais quase 200 euros. Um relatório do Bank of America refere que as faturas da luz e gás irão subir até 30% ao ano. Isto é um desastre para a economia portuguesa. Não só porque já pagamos uma das faturas mais caras da Europa como a esmagadora maioria das empresas não aguenta uma subida desta magnitude. Se António Costa quer ser reeleito em 2023, terá aqui um grande berbicacho e uma terra fértil para que os partidos à sua Esquerda ganhem pontos, como já o estão a fazer.

Editor-executivo

Mais Notícias (desktop)

Outros Conteúdos GMG