Opinião

"Traças" nas poupanças

"Traças" nas poupanças

A inflação pode ser irritante. Se para muitos que têm poupanças pode significar que andam "traças" a comer as suas notas, para muitos outros pode ser um indicador de que a economia está a recuperar e que é preciso investir. Em "economês", há sempre o copo meio cheio e o copo meio vazio.

Durante esta pandemia, como o "Jornal de Notícias" escreveu, as tais "traças" estão de barriga cheia: comeram 450 milhões às poupanças dos portugueses. Sem onde gastarem (ou investirem) o seu dinheiro, as famílias que o tinham acumularam poupanças.

Esse dinheiro perdeu valor e, segundo as previsões, vamos chegar ao final do ano com prejuízos ainda maiores se os investimentos não forem "desviados" para outro tipo de aplicações com mais risco, mas com melhores remunerações. À medida que se sucedem indicadores de recuperação económica, emerge também o aumento dos preços.

É que, após perdas significativas devido à pandemia, os vendedores querem recuperar o tempo perdido o mais depressa possível (tempo é dinheiro). Esta subida é mais explícita nos países onde a expansão é mais intensa, um reflexo dos estímulos monetários e orçamentais mais agressivos, como é o caso dos Estados Unidos, onde o aumento do índice de preços ao consumidor disparou para 4,2% em abril.

Na Europa, quase sem inflação, uma subida de 2% em abril fez soar os alarmes do Banco Central Europeu. Um tanto excessivamente, diga-se, porque o ponto de partida sobre o qual se calcularam essas variações era baixo. Normalmente, a inflação surge quando as remunerações aumentam e pressionam os preços. Não foi o que aconteceu de todo, antes pelo contrário.

A que se deve então este fenómeno? A própria composição do cesto que calcula a inflação está enquistada de fatores transitórios devido ao coronavírus e à poupança forçada. É evidente que não houve um aumento dos salários que colocasse pressão nos preços.

Com a vacinação em forte andamento e com a população quase imunizada, há que investir ou gastar, dependendo se estamos a olhar para o copo meio cheio ou meio vazio.

PUB

*Editor-executivo

Mais Notícias (desktop)

Outros Conteúdos GMG