Opinião

Uma carta aos veraneantes

Uma carta aos veraneantes

Vamos dedicar o mês de agosto a descansar, a dormir o máximo, a beber uns copos numa esplanada com a família ou amigos, a ler os quilos de livros que se foram acumulando ao longo do ano, a esquecer-nos dos novos casos de covid, da curva de incidência, das hospitalizações, e passar todo o tempo que possamos sem máscara.

Pode parecer um programa irresponsável, mas é técnica de sobrevivência simples. Um verão perfeito que só possa ser estragado pelas nuvens e pela chuva. Acima de tudo, semicerrar os olhos e concentrarmo-nos nas sensações que experimentámos antes de entrar na loucura covidiana. Normalizar as férias e, acima de tudo, normalizar o mais possível o trabalho quando regressarmos. António Costa prometeu-nos a libertação total e vamos lutar por ela. Lutar para que não volte a acontecer aquela tensão quase impercetível logo de manhã e que, com o passar das horas, se transforma em dor atrás das orelhas. Sei que não será fácil, mas vale a pena fazermos o esforço para não sermos apanhados novamente pelas vagas da doença. E se procuramos uma palavra que seja suficiente para descrever o que vivemos, não se encontrará melhor do que "cansaço". Sim, um cansaço peculiar, diferente daquele que surge do esforço físico, das caminhadas pelas montanhas ou da descoberta de uma cidade algures no Mundo. É um cansaço de não poder, de não fazer, de não se mexer, de continuar a interagir com as pessoas através de um biombo. Com certeza não nos lembramos de um cansaço mais exaustivo do que aquele que o segundo ano da pandemia trouxe consigo, o que nos obrigou a adiar um pouco mais as reuniões, os abraços e as pequenas rotinas diárias. É por isso que precisamos tanto das férias este ano. E não é para fazer algo de extraordinário. Porque setembro, que agora nos parece muito distante, chegará em breve, e tudo o que temos descansado nos parecerá pouco. Aproveite o verão. Nós merecemos.

Editor-executivo

Mais Notícias (desktop)

Outros Conteúdos GMG