Opinião

A favor do mutualismo

Numa altura em que o país se prepara para eleições e mais restrições na pandemia da covid-19 está a decorrer o processo eleitoral para a maior organização mutualista portuguesa: o Montepio.

Envolta em polémica, muitas vezes artificial, estas eleições implicam geralmente uma parte substancial dos associados do Montepio e distribuem-se em sensibilidades diferentes de horizontes políticos, sociais e de outras matrizes, sendo previsível que surjam quatro listas a concorrer.

Não vou envolver-me numa avaliação do mérito das propostas ou fazer campanha, quero antes contribuir para o que entendo deve ser o contributo de um associado com responsabilidades na economia social.

Este setor, reconhecido recentemente pelo INE na sua conta satélite social, representa um peso considerável na criação de emprego e no apoio aos setores mais desfavorecidos ajudando o Estado social no cumprimento da sua missão constitucional.

Desde as misericórdias até às IPSS, o mutualismo representa, também, uma das formas de auxílio ao próximo com maior tradição na nossa vida coletiva.

Desta forma, as eleições para o Montepio não podem ser um mero ato formal, antes devem realizar uma das mais importantes tarefas de cada eleitor. Acreditar e aceitar que só com um espírito de missão será possível contribuir para elevar todos os ativos da Associação e permitir que continue a cumprir o seu objetivo de eficiência e eficácia ao serviço da economia social. Ganha relevo a ideia de, a exemplo de outros países europeus, conseguir construir um banco virado para a economia social para ajudar o investimento das instituições e captando as poupanças que são, neste âmbito, produzidas.

Numa altura que se aproxima o PRR, parece ser decisivo aglutinar todo este setor para responder a dois grandes desafios: as alterações climáticas e a transição digital. Elevar as capacidades e as competências dos seus recursos humanos e também decisivo para justificar a atenção com que todas as instituições do terceiro setor olham para as eleições do Montepio.

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Uma conclusão parece óbvia. Não serve qualquer lista para dirigir os destinos do Montepio. Precisamos de aliar a renovação à experiência. De juntar a capacidade estratégica à capacidade e vontade de cumprir uma missão para o setor social.

Todos estamos a favor do mutualismo, acreditando que as suas evidências de sucesso podem e devem continuar a ser a preocupação daqueles que, nos últimos tempos, souberam servir a instituição.

Será o tempo dos associados e da escolha a favor do mutualismo.

Professor universitário de Ciência Política

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