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Carvalho da Silva

Ilusões no virar a página

Nas suas mensagens institucionais deste início de ano, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa afirmaram, em uníssono, a necessidade de "virar a página". Esta expressão conduz-nos, de imediato, para um desejo forte que nos pode e deve mobilizar a todos: libertarmo-nos da pandemia que atrofia a vida de cada um e provoca graves retrocessos na sociedade. Mas, as suas mensagens e os contextos em que se situam podem induzir ilusões, desde logo porque existe uma relação profunda entre passado, presente e futuro, e este não se torna melhor por mero desejo.

Carvalho da Silva

A falsa simetria dos extremos

Tem estado em crescendo a campanha promocional de soluções políticas de "centro", a banha da cobra moderna com poderes curativos para todas as maleitas do país e dos portugueses. A experiência política dos últimos seis anos, em que tivemos governos do Partido Socialista (PS) com apoios parlamentares à sua esquerda, tirou o sistema político português dos seus velhos eixos. O êxito da solução, a confiança e a estabilidade política geradas, desarmaram os defensores do grande centrão de interesses. Agora, a queda do Governo e o cenário eleitoral permitem-lhes sair da toca e passar ao ataque.

Carvalho da Silva

Estagnação é instabilidade

Quando um país estagna e a sociedade se acomoda ou fica manietada, as instabilidades na vida das pessoas não param de crescer. Infelizmente, Portugal é, no plano económico, mas também em várias áreas do social ou da cultura, um país estagnado há já bastante tempo: apenas pontualmente se tem conseguido sacudir essa estagnação. Agora, nestes meses de aproximação às eleições legislativas de 30 de janeiro vamos ouvir insistentes proclamações de que tudo se resolverá com estabilidade política.

Carvalho da Silva

Não há alternativa

As questões centrais que impediram o entendimento das forças de Esquerda para assegurar a aprovação do Orçamento do Estado, a premência de políticas de recuperação socioeconómica de que o país precisa, o agravamento de dificuldades vindas da "crise energética" e de mudanças geopolíticas e geoestratégicas perante as quais a União Europeia não tem política consistente, conduzem-nos a uma evidência: só um Governo suportado por compromissos da Esquerda, que respeite as agendas de cada uma das suas forças e assuma uma base programática comum, estará em condições de responder aos desafios.

Carvalho da Silva

As contradições da Direita

No quadro da discussão do Orçamento do Estado (OE) para 2022, a Direita, numa pluralidade que vai do Chega ao PSD, apresenta-se sintonizada na defesa de um caderno contraditório, reclamando simultaneamente: 1) apoio às empresas, de preferência via acesso direto a fundos do Estado, mas sem este ter o direito de canalizar meios para políticas públicas que respondam a necessidades prementes dos portugueses; 2) redução da despesa pública e resposta a grandes problemas sociais; 3) abaixamento generalizado de impostos e diminuição da dívida; 4) secundarização do consumo interno, mas respostas às carências gritantes de mais de dois milhões de portugueses e invenção de atividades para as pequenas e microempresas; 5) salários de miséria, mas trabalhadores disponíveis e com qualificações.