Opinião

Turismo ou startups?

Ter riqueza, no caso dos países pequenos, depende das pessoas que ficam, e não das que apenas passam por lá. Mas Portugal continua a fazer - nos dias de hoje - exatamente a mesma coisa que acabou com a sua prosperidade na época dos descobrimentos.

De novo, em vez de agir como uma "plataforma ", Portugal escolhe como seu modelo de negócio ser apenas "um canal". Canal esse, por onde - e por definição - tudo se esvai. Se Portugal soubesse tirar lições dos sucessos (e fracassos) da Primeira Era dos seus Descobrimentos, perceberia imediatamente quais as razões porque essa "prosperidade" foi sol de tão pouca dura.

Em vez de desenvolver a indústria, Portugal voltou-se para a importação. De engenheiros, de cereais, de armas e de uma série infindável de produtos manufaturados. A estratégia foi concentrar-se numa posição de "intermediário" monopolista, em vez de desenvolver a sua própria economia.

Portugal voltou-se cada vez mais para o crédito "generoso" fornecido por outras nações, a fim de manter a sua dependência de cereais importados e produtos acabados. O Tratado de Methuen de 1703 confirmou isto mesmo.

Embora superficialmente baseado em "laços de interesse comuns", a assunção das dívidas aos britânicos e alemães empurrou Portugal a tornar-se "ator secundário" nas redes de produção dos impérios britânico e alemão, em vez de permanecer um "protagonista" autossuficiente por direito próprio.

A dívida e a desindustrialização atraíram Portugal para uma posição subordinada - política e comercialmente - às nações líderes da Europa. Mas como não gostamos de História - nem genericamente de estudar - continuamos a cometer exatamente os mesmos erros do século XVII. Preferimos o turismo às startups.

Especialista em Media Intelligence

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