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Luís Pedro Carvalho

Somos todos Macron

Goste-se ou não da personagem Emmanuel Macron, o facto de o presidente francês ter conseguido pôr todo o mundo a tentar encontrar a melhor tradução possível para "emmerder", quando se referiu ao querer chatear o mais possível os não vacinados, é digno de vénia. Se os não vacinados por opção têm o direito de fazer essa escolha, é mais do que justo que a restante população queira "emmerder" com convicção quem opta por ignorar a ciência e os números evidentes que todos os dias surgem na comunicação social, dando conta de uma eficácia para lá daquela que se poderia imaginar da "poção mágica injetável".

Luís Pedro Carvalho

#vet

Há momentos em que a perplexidade se assemelha a um murro no estômago. Com milhares de milhões de pessoas ainda sem acesso a vacinas contra a covid-19, apesar de já terem sido administradas mais doses do que o total da população mundial, qual não é o meu espanto quando recebo um alerta de um jornal sobre um zoológico no Chile, o "Buin Zoo", onde Charly e Sandai, um tigre e um orangotango, já foram vacinados. Como é óbvio, as vacinas veterinárias que foram administradas aos animais não poderiam entrar nos braços de seres humanos, mas este é um claro exemplo das desigualdades entre ricos e pobres. Enquanto África enfrenta a pandemia sem cuidados de saúde dignos e a vacina é apenas uma miragem, no chamado "primeiro mundo" até já é possível ter animais vacinados, e continuamos sem um plano para ajudar as pessoas mais vulneráveis.

Luís Pedro Carvalho

#2022

Ano novo, vida nova, diz o ditado. Não percebo bem por que razão, mas quem sou eu para não acreditar e aceitar? Assim, vou juntar-me aos milhões que hoje se dedicam a enumerar e imaginar com afinco uma lista de mudanças que promete a felicidade e uma vida extra no "Matrix" em que vivemos, apesar de muito mais aborrecida. Prometo, já hoje, que vou ser mais saudável. Prometo, já hoje, que vou deitar-me mais cedo. Prometo, já hoje, que vou fazer mais exercício. Prometo, já hoje, que vou fazer uma alimentação melhor. Prometo, já hoje, que vou cortar nas horas que passo agarrado ao telemóvel e ao computador. Prometo, já hoje, que vou deixar de me irritar tanto no trânsito. Pena é que amanhã seja domingo e até estou de folga. Se calhar deixo para depois. Bom 2022.

Luís Pedro Carvalho

#natal

Chegamos aos dias mais felizes do ano. Estamos a cerca de duas semanas do Natal e já se sente no ar o espírito da quadra. Centros comerciais a abarrotar, a senhora da caixa do hipermercado que se queixa de que são quase 21 horas e ainda não conseguiu parar (e de que nem consegue controlar a velocidade a que os clientes se aproximam para gastar o subsídio que acabou de cair na conta), trânsito caótico e demasiadas irritações para conseguir fazer a quadratura do círculo de encaixar as mil solicitações de visitas de Natal, jantares de Natal, almoços de Natal.... e ainda nem chegamos a 24. Mas a cereja no topo do bolo é mesmo aquela frase que se solta quando tentamos desenvolver qualquer ideia, projeto ou realizar alguma coisa antes de 31 de dezembro: "ah, temos gente de férias, depois é o Natal, mete-se o Ano Novo, por isso agora só para o ano".

Luís Pedro Carvalho

#seleção

Quem me conhece sabe que futebol não é uma área que conheça em profundidade (eufemismo), mas há momentos em que é impossível não refletir sobre o que se passa nessa indústria milionária e atroz, em que se é tão bom quanto o último resultado obtido. Não faço a mínima ideia se Fernando Santos é um bom treinador de futebol, mas sei que muito se andou com o "Engenheiro do Penta" ao colo quando levou o F. C. Porto ao pináculo do futebol nacional ou quando disse, em 2016, que só voltaria a casa quando o Europeu terminasse, e assim o fez. Por que razão passou a ser um treinador sem qualquer qualidade e que todos querem ver pelas costas, tendo sido mesmo obrigado a garantir numa entrevista televisiva que o Cristiano Ronaldo, o rei e senhor da Seleção, tem total confiança nele? De bestial a besta em dois jogos?

Luís Pedro Carvalho

#Exmo.

Com a task force da vacinação a clamar que "já ganhámos a este vírus" e pelo menos um especialista no Infarmed a garantir que estamos "claramente no final de uma fase pandémica", gostava de salientar esta passagem repetida (com variações) das intervenções de quinta-feira, que me parece de particular interesse para quem precisa de saber o que vai acontecer a seguir no combate à pandemia: "Sua Excelência, o presidente da República; Sua Excelência, o presidente da Assembleia da República; Sua Excelência, o senhor primeiro-ministro; senhora ministra da Saúde e restantes ministros presentes; Excelentíssimos senhores conselheiros de Estado; Senhores secretários de Estado; Excelentíssimos senhores deputados e parceiros sociais; minhas senhoras e meus senhores". Esclarecedor sobre o país que temos, não?