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Luís Pedro Carvalho

#bombeiros

Ter de contactar com bombeiros em situações de emergência não é, à partida, algo agradável, como é natural. Já por algumas vezes tive de recorrer a estes homens e mulheres, a que ia chamar de profissionais, mas que infelizmente são, na sua maioria, voluntários mal pagos. E apesar de as circunstâncias nunca terem sido agradáveis, tenho tido experiências que só não foram piores porque as equipas que responderam à chamada o impediram, com uma postura de louvar. Simpatia, profissionalismo e extrema paciência com pacientes teimosos e com pouca vontade de colaborar. E nem mesmo naqueles momentos em que sei que já não teria paciência, mais um sorriso e um pequena piada ajudaram sempre a tornar a situação complicada num momento que rapidamente passou. Aos bombeiros deixo um agradecimento e o desejo de nos cruzarmos poucas vezes.

Luís Pedro Carvalho

#troti

Como contei na semana passada, o meu meio de transporte para ir trabalhar diariamente é uma trotineta. Sempre que revelo a alguém a decisão que tomei em novembro, sou recebido com um olhar de espanto e um ligeiro sorriso trocista. Há um preconceito na nossa sociedade, que ainda vê o carro como um sinal de status. Como se costuma dizer, "é para o lado que durmo melhor". Ganhei qualidade de vida, poupei em tempo de deslocação e poupei em custos de combustível. Só vantagens. Mas quem é olhado de lado sou eu e não quem desperdiça tempo e dinheiro com a deslocação diária de automóvel. O problema é que, por vezes, até eu fico constrangido. Ainda há dias, a trotineta avariou a meio do caminho. Lá tive de entrar no metro com ela. Provavelmente, ninguém quis saber da minha existência, mas posso jurar que senti aquele olhar crítico: "um homem adulto a fingir que ainda é jovem".

Luís Pedro Carvalho

#suave

A mobilidade suave nas grandes cidades fará parte do nosso dia a dia. Já a adotei há alguns meses e passei a vir trabalhar de trotineta, um momento de lazer em dia laboral. Perfeito para quem vive a poucos quilómetros do emprego. E se em Lisboa se arrancam ciclovias, para voltar a dar ao carro o lugar de destaque, noutras cidades crescem os espaços para tornar bicicletas e trotinetas algo mais do que uma brincadeira. E no resto deste país, em que a Almirante Reis se tornou tópico artificialmente nacional? Autocarros de longe a longe e que podem, ou não, chegar a horas. Comboios lentos. E o carro como única solução para quem precisa de se movimentar no dia a dia. A "capital do império" tem de ser o exemplo, mas o problema que devíamos estar a discutir está muito para lá do eixo Praça do Comércio/Avenidas Novas.

Luís Pedro Carvalho

#julgamento

Por momentos, a guerra parou. A solidariedade passou para segundo plano, a horrível contabilidade das mortes deixou de nos impressionar, as bombas continuaram a cair, mas deixaram de se ouvir. E a atenção do mundo virou-se para um tribunal norte-americano, onde dois atores, provavelmente ambos com muitos pecados para expiar, lavavam a roupa suja em frente a milhões de pessoas. E no dia do veredito, em que numa reviravolta digna de drama de segunda categoria o júri foi mandado para trás, por não ter preenchido bem um formulário, os olhos colaram-se no último episódio da novela Amber Heard/Johnny Depp. Pouco interessa quem foi considerado culpado. Respiremos fundo, ergamos o queixo e continuemos em frente, que a luz ao fundo do túnel continua a parecer um ponto muito distante para quem tem de viver com o conflito à porta.

Luís Pedro Carvalho

#Columbine

Mário Rui de Carvalho, antigo jornalista português da CBS, escreveu certa vez que em cenários de guerra temia as crianças armadas, por serem menos ponderadas e de gatilho mais fácil. Talvez amedrontadas, encontravam na arma a confiança e proteção. Um cocktail explosivo: medo e armas. E este pode ser o resumo da explicação do documentarista Michael Moore, em "Bowling for Columbine", filme de 2002 sobre o massacre na escola de Columbine, onde morreram 17 pessoas. Não sei se os dados que apresenta serão corretos, não sei se as polémicas sobre a execução do filme são reais. Mas faz sentido: num país em que as polémicas e problemas internos se resolvem com bombardeamentos do outro lado do Mundo e tudo gira em torno de mensagens de medo, o acesso a armas sem grande controlo é a chama que acende o rastilho. Vejam. Descontem os excessos de Moore e tirem conclusões.

Luís Pedro Carvalho

#queeusaiba

E estamos de volta. As máscaras, a desconfiança no olhar ao entrar num local com muita gente, aquela notícia quando chegamos ao trabalho: "então, já sabes? O Zé tem covid". E o diálogo que se segue é sempre muito parecido: "ai é? Onde apanhou?". "Foi no batizado do sobrinho por afinidade, do lado da prima da mulher. Até a sogra ficou doente". Depois de feita a radiografia do momento da infeção, surge a fatídica pergunta de acompanhamento. "E tu, já tiveste?". E neste momento, quem, como eu, tem passado pelos pingos da chuva da covid, responde com ar cabisbaixo, de quem falhou na vida e não tem amigos que o contagiem: "não, ainda nada". Mas é aí que há uma réstia de esperança na resposta, como quem diz que também é um ser social e com uma vida interessante. Mostramos as mãos no ar, encolhemos os ombros e ressalvamos: "Não tive.... que eu saiba".

Luís Pedro Carvalho

#sindicatos

Hoje venho aqui falar de uma coisa que me anda a atormentar: a taxa de sindicalização. Há um claro decréscimo do número de trabalhadores sindicalizados, o que se nota na precarização e na deterioração das condições laborais e higiene e segurança no trabalho. Tal como aventei ainda em março, uma das profissões onde o problema se nota mais é na de oligarca russo. A taxa de mortalidade da oligarquia nos últimos dois meses disparou e não há um sindicato que se reúna com o patronato, de forma a pôr mão no problema. Os meus conselhos para a prevenção de tonturas parecem ter resultado, mas não tinha pensado nos problemas resultantes de envenenamento por chumbo disparado por armas ou veneno de sapo administrado por xamãs para curar ressaca. Erro meu. Haja um sindicato que ponha Putin em sentido.

Luís Pedro Carvalho

#SG

Partilho com muitos portugueses a devoção pelo Sérgio Godinho, cujo trabalho acompanha a minha vida desde ainda antes do berço. Quando percebi que a Capicua estava a coordenar uma homenagem, com o título SG Gigante, fiquei curioso mas com medo de ser desiludido. Pegar em temas como "Brilhozinho dos Olhos", a "A Noite Passada" ou "O Primeiro Dia" é mexer com material sagrado e é preciso "ter unhas". Agora que o SG Gigante está aí, respiro de alívio. Uma justa e bonita homenagem da dita "música urbana" a um cantautor que sempre soube manter-se a par do que se estava a fazer a cada momento, juntando-se aos melhores músicos de várias gerações, como os Clã ou a própria Capicua. Por isso, resta-me apenas agradecer esta celebração dos 50 anos de "Os Sobreviventes" e criticar o facto de serem apenas seis músicas. Quero mais.

Luís Pedro Carvalho

#mano

Se todos podem ter uma teoria sobre como acabar com a guerra (e cada uma mais brilhante do que a outra), também quero participar no brainstorming. Hoje tive uma epifania. A solução está mesmo aqui ao nosso lado. Nas escolas, nos transportes públicos e nos cafés. Em todo o lado se ouve o mesmo: "ó mano, é top", "ó mano, tens de ver isto", "mano, já não te via há tanto tempo". É bonito perceber que finalmente se conseguiu um clima de paz social tão profundo no nosso país, em que todos somos irmãos. Proponho então o envio de uma missão de "gunas" capacetes azuis, ao serviço das Nações Unidas, para espalhar este sentimento fraterno entre Moscovo e Kiev e terminar as hostilidades. Nada mais bonito do que uma negociação de paz selada com um abraço entre Putin e Zelensky, ambos em lágrimas e a dizer "maaaannooooo".

Luís Pedro Carvalho

#asterisco

Tenho dificuldade em controlar-me quando vejo gente, que antes admirava, negar o que está a acontecer na Ucrânia ou a criticar a guerra, tendo sempre de fazer um asterisco: "a Nato, os EUA, os nazis". Para estas pessoas, vou tentar organizar um explicador simples: quem invadiu a Ucrânia? A Rússia. Quem está a cercar cidades e a bombardeá-las? A Rússia. Quem protagonizou o massacre de Bucha, agora que temos imagens dos corpos no chão há semanas? A Rússia. Há nazis na Ucrânia? Certamente. São todos nazis, como diz a agência russa Ria Novosti? Claro que não. E as crianças mortas? Não. Zelensky é um anjo na terra? Não. Tem estado à altura do momento? Sim. É nazi? Não. Os soldados ucranianos não cometeram crimes de guerra? Duvido. Podemos confiar nos líderes russos? Pouco provável, pelo histórico de mentiras. Simples.

Luís Pedro Carvalho

#imagine

A mais do que batida história da ida à guerra de 1908, popularizada por Raul Solnado, foi usada para ironizar sobre os avisos sobre a invasão que aí vinha, mas agora que a guerra nos bateu à porta, é que o potencial humorístico de tal rábula nos podia valer. Ora vejamos. Imagine Solnado a relatar a história de uma militar ucraniana parada num checkpoint e revistada, num momento de pausa da guerra, para depois se perceber que era um pedido de casamento pouco convencional. Ou a recomendar aos russos que poupem balas com recurso a uma "guita", já que parece haver problemas de escassez (e já agora a recomendar que não disparem contra o próprios helicópteros). Ou então, a dar conta do paradeiro do líder checheno, Kadyrov, que se exibiu heroico na frente de batalha ucraniana, sem perceber que o posto de combustível que surge na foto só existe na Rússia.

Luís Pedro Carvalho

#tonturas

Reza a lenda que, durante a pandemia, houve um súbito surto de médicos russos que sofreram uma crise de desequilíbrio junto a janelas, depois de terem criticado a estratégia de combate à covid-19 do país. Porventura terão sofrido uma tontura e tiveram o azar de não haver sítio para se amparar. Tendo em conta as notícias que chegam do Kremlin, com uma possível purga de opositores à guerra no círculo mais próximo de Putin, julgo que é hora de termos em atenção as recomendações médicas para combater este problema. Depois de uma breve pesquisa online, descobri que é possível evitar tonturas com movimentos da cabeça para os lados, movimentos da cabeça para cima e para baixo e com exercícios de movimentos dos olhos para os lados. Já para ingestões inopinadas de novichok e polónio 210, recomendo uma ida às urgências. Alguém que fale russo que passe a informação pf.

Luís Pedro Carvalho

#talvez

Depois de três semanas a escrever sobre guerra na Ucrânia, apetecia-me focar noutro tema. Algo mais positivo e que não provocasse mais angústia, que é a "fruta da época". Ainda assim, é difícil tirar o pensamento da crueldade que se passa ali ao lado - sugiro que procurem o trabalho sobre o cerco a Mariupol dos jornalistas da Associated Press, que mostra a crueza da guerra de uma forma que será falada durante anos. Cheguei a ponderar encontrar um meio-termo, que não é bem guerra, mas também não deixa de ser, e escrever sobre a chegada da estátua da Senhora de Fátima a Lviv, mas consta que não sabe manejar armas ou drones, pelo que será pouco útil para ajudar a manter seguros os que se refugiam na cidade mais próxima da fronteira com a Polónia. Por cá, nem o modo aleatório da minha playlist se abstrai do tema e decidiu recordar um clássico da música de intervenção do final do século XX (e talvez incompreendida na altura), de um irreverente e socialmente consciente Pedro Abrunhosa: "Há snipers em Sarajevo/E há fome em Bombaim/Guerra civil sem vergonha nem fim/E eu e tu o que é que temos que fazer? Talvez..."

Luís Pedro Carvalho

#guerra

Fomos avisados, mas não queríamos acreditar. A NATO avisou, Biden avisou e até Putin, de forma mais distante, alertou que a grande Pátria Mãe Rússia precisava de soltar um rugido. E a guerra chegou. Madrugada em Portugal, nascer do dia na Ucrânia. E quem pensava que Putin se ia ficar pela região do Donbass, enganou-se. Foi um ataque total, pelo domínio de um país com 44 milhões de pessoas e com cerca do dobro do tamanho de Itália. Podem relativizar, podem dizer que a culpa é da NATO, dos EUA, do Ocidente, do Pai Natal ou do Tiririca. Mas foi Putin quem voltou a ameaçar o mundo com uma uma III Guerra Mundial, foi Putin quem voltou a despertar o medo de uma guerra nuclear, foi Putin quem matou as dezenas (serão centenas? mas podia ser apenas uma pessoa). Sempre apontamos o dedo ao louco Trump na Casa Branca, mas esquecemo-nos do louco que vive no Kremlin.

Luís Pedro Carvalho

#surpresa

A capacidade de uma criança se surpreender é algo muito interessante e enternecedor de acompanhar. "Pai, pai, um avião! Pai, pai, a lua! Pai, pai, outra lua!", vai-me dizendo, quase todos os dias, o meu filho de três anos. Claro que às vezes a situação se torna um pouco cansativa, quando passamos pelo décimo avião em meia hora e temos de ficar tão animados quanto ele. Mas temos um paralelo no nosso país com a surpresa nacional perante o clima e o tempo. Ora vejamos: temos batido recordes sucessivos de temperatura e somos constantemente alertados para as alterações climáticas, mas ficamos surpreendidos por haver cada vez mais fenómenos de seca, como aquela por que passamos atualmente. E querem apostar que nos vamos surpreender também com o tempo quente no verão e os com os incêndios que previsivelmente vão acontecer de surpresa?

Luís Pedro Carvalho

#reaça

Digerida a noite eleitoral, é interessante dar uso às maravilhas da tecnologia da box da televisão e ver o que se disse durante a campanha sobre o futuro de Portugal. Costa estava acabado, Rodrigues dos Santos já falava como ministro da Defesa e até se pedia ao primeiro-ministro que aceitasse a derrota com dignidade. Mais valia nem haver eleições, que sondagens e comentadores já tinham tudo decidido. O voto era um pró-forma para levar Rui Rio ao Palácio de São Bento. Não está em causa gostar ou não de Costa e da maioria absoluta conquistada, mas algo não correu bem e por estes dias veio-me à memória uma música de Fernando Tordo e Ary dos Santos que ouvi algumas vezes ao longo da vida, a propósito de uma fuga de agentes da PIDE de Alcoentre: "Que se passa? Então isto não é uma ameaça? Ali andou mãozinha de reaça"...

Luís Pedro Carvalho

#champions

Depois de meses e meses sem ter contacto próximo com a covid-19, num ápice ela surge de todos os lados e diariamente há mais uns quantos amigos, familiares, colegas ou conhecidos que tiveram contactos com positivos ou estão infetados com SARS-CoV-2 e a desenvolver uma estreita relação com o sofá de casa (pelo menos, durante sete dias). E depois há as escolas, que são um campeonato à parte, a Liga dos Campeões, com casos a sucederem-se no grupo de pais no WhatsApp e os emails a chegar com mais umas crianças infetadas ou com a família em isolamento. No total, serão mais de cem mil casos em crianças e jovens em idade escolar, apenas em dez dias. As aulas podem estar a decorrer e termos abandonado a ideia da telescola, mas este será mais um ano perdido com tanta perturbação no ritmo do ensino.

Luís Pedro Carvalho

#debateclássico

Nada como um clássico! O dia começa cedo, com o sol a brilhar, lê-se o que os jornais dizem sobre a partida da noite. À hora de almoço, já não se fala de outra coisa e as redes sociais estão ao rubro com picardias entre as claques. Todos, de cada lado, sabem que a sua equipa está pronta para ganhar e cilindrar o adversário. Aliás, já há quem adiante o resultado, ainda os jogadores não entraram em campo. E sabemos que não entraram em campo, porque as televisões nos fazem o favor de estar em direto da porta dos "hotéis", explicando que depois é apenas uma viagem curta, que será filmada de mota. Cresce a excitação. Drones já mostram o palco de todos os sonhos e os jornalistas apresentam o estado do "relvado". Tudo a postos. E por mero acaso, a estragar a sequência de comentadores pré e pós, Costa e Rio debatem a pensar nas eleições.