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Miguel Guedes

Uma primeira vez na Colômbia

Na Colômbia, uma primeira vez é quase uma revolução. Uma primeira vez na Colômbia - país joguete, permanentemente assolado por interesses múltiplos durante décadas, onde a paz social sempre foi uma miragem, devastada por violência e morte, narcotráfico e guerrilhas, golpes de Estado efectivos e sempre anunciados como pendências ao virar da esquina, pobreza, corrupção em todas as instâncias de poder - não é uma primeira vez qualquer. Implica uma mudança sistémica, um contragolpe na instabilidade, uma tentativa real de fazer algo novo, tentando abstrair do cansaço. Uma aspiração colectiva urgente, esperança-produto, a emergir democraticamente de uma eleição.

Miguel Guedes

Crónica de uma ruptura anunciada

Os sucessivos governos de António Costa têm carregado o SNS como bandeira mas, nos últimos anos, foi a luta contra a covid que a agitou. A extraordinária resposta do SNS à pandemia criou, graças ao esforço e resiliência de todos os profissionais de saúde, uma ilusão de robustez, suficiência de meios e bom funcionamento global das instituições. Sem estabilidade na contratação e progressão nas carreiras, com o aumento dos profissionais tarefeiros sem vínculo e mais bem remunerados, com equipas mais pequenas e envelhecidas, sem autonomia, com a problemática da formação, horas extra e do cansaço acumulado sem incentivos de espécie alguma, assistimos a 2500 médicos e enfermeiros a abandonarem o SNS em 2020 e 2021.

Miguel Guedes

A orfandade histórica do PSD

O reaparecimento mediático de Cavaco Silva em dose dupla, texto e entrevista televisiva, reforçou todas as controvérsias que não permitem ao PSD assumir o conforto de nenhum legado histórico dos seus líderes desde Sá Carneiro. É evidente que lideranças como as de Francisco Balsemão e Mota Pinto são absolutamente relevantes, até tendo em conta o percurso histórico e a inquestionável dimensão pessoal de ambos. Mas o drama adensa-se quando o PSD procura referências para apresentar ao país, e só encontra Cavaco Silva-Passos Coelho como cartões de visita e Durão Barroso-Santana Lopes como cartas de rejeição. Líderes que proclamaram oásis em pleno défice ou que foram para além da troika, líderes que abandonaram o barco para utilizar portas giratórias sem período de nojo ou que fundaram partidos concorrentes no mesmo espaço político.

Miguel Guedes

Entre uma crise e uma não existência

Há quem pretenda fulanizar a saída do município do Porto da ANMP, rotulando-a como um capricho e não como uma decisão democrática da Câmara do Porto, caucionada por uma deliberação positiva da AM da cidade que, no campo da percepção, colhe como acertada em boa parte dos portuenses. A democracia a funcionar parece ser um incómodo mas, na realidade, nada prende um município à ANMP senão a História e a ilusão de que 308 vozes juntas deveriam falar mais alto e melhor do que vozes soltas ou desgarradas. Infelizmente, a tez de importância que a ANMP teve, desde a sua criação, tem vindo a desvanecer-se e é, agora, rosa-pálida, lendo o futuro nas folhas do chá.

Miguel Guedes

A juventude de Balsemão

O apoio de Francisco Pinto Balsemão a Jorge Moreira da Silva não é uma simples carta de recomendação aos militantes para as próximas eleições internas no partido. O antigo primeiro-ministro, fundador e militante "número 1" do PSD, ao contrário do que fez no passado recente com o apoio a Rui Rio, não se limita à teoria e passa à prática. Ao aceitar ser o mandatário nacional da candidatura de Jorge Moreira da Silva, Balsemão dá o braço ao candidato para fazer caminho, deixa a marca e o aviso à navegação: não será sem renovação que o PSD responderá ao país e poderá recuperar o eleitorado que perdeu ao centro e à sua direita.

Miguel Guedes

55 jogos sem derrotas

Não perder há 55 jogos é histórico. Mas apesar dos últimos anos demostrarem que o F. C. Porto de Sérgio Conceição não tropeça no dérbi do Bessa, nem a História nem as estatísticas podiam fazer o que quer que fosse por uma equipa que jogava o seu terceiro jogo em oito dias, tendo passado por uma viagem adiada e atribulada no regresso de Lyon, não descansando nem preparando o jogo convenientemente, perdendo Taremi em cima da hora ao acusar covid e ficando sem Pepê, um dos seus jogadores mais influentes e desequilibradores, por lesão aos 25 minutos de jogo.

Miguel Guedes

A matrioska de Putin

O primeiro momento de fraqueza de um agressor não se vislumbra sem que se sinta verdadeiramente acossado. Isolado pela comunidade internacional, onde apenas quatro países nas Nações Unidas (Bielorrússia, Coreia do Norte, Eritreia e Síria) se colocaram a seu lado. Castigado por sanções económicas sem precedentes à escala mundial que fazem ruir a já débil prosperidade económica do país. Enganado pelos seus serviços secretos que, dizendo-lhe o que queria ouvir, o convenceram de que a invasão da Ucrânia seria uma operação cirúrgica de dias e que em duas semanas tomaria Kiev, tombando o poder de Volodymyr Zelensky.