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Rafael Barbosa

Agora ou nunca

Numa democracia representativa, os deputados representam o povo. Os partidos apresentam os seus programas aos eleitores, estes fazem as suas escolhas, e os políticos, se conseguirem um mandato suficientemente forte, cumprem aquilo com que se comprometeram. Acresce que, numa democracia consolidada, independentemente da força de cada partido e do que os possa dividir, os grupos parlamentares não só não têm medo do compromisso, como o procuram, se essa for a melhor forma de fazer cumprir o contrato que assinaram.

Rafael Barbosa

Marcelo, PSD e sondagens

1. Marcelo Rebelo de Sousa vai anunciar amanhã a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições legislativas antecipadas. É um momento importante, institucional, em que o presidente da República (não confundir com o analista que vai debitando ideias ligeiras para os microfones das televisões) terá de explicar aos portugueses, a partir de Belém (e não de uma esquina qualquer), porque decidiu ameaçar e depois acionar a "bomba atómica". Sobretudo se tivermos em conta que não é nada certo que o futuro equilíbrio parlamentar venha a ser muito diferente do atual. Infelizmente, não precisará de se esforçar demasiado a fundamentar as suas razões e convicções. O que faz palpitar os corações e espevita a intriga da corte é se as eleições serão em janeiro ou fevereiro. A politiquice em vez da política.

Rafael Barbosa

Esperança ou tormenta?

Fazem sentir-se os ventos alísios que empurram em direção ao desconhecido. Há apenas um mês, qualquer um diria que, se houvesse eleições legislativas, tudo ficaria praticamente na mesma. Hoje, cruzado o Bojador das autárquicas e com a dúvida sobre se o Orçamento do Estado será o cabo da Boa Esperança ou das Tormentas, o país político já não é o mesmo. Os socialistas perderam Lisboa de vista e já não confiam nas cartas de navegar, temendo as surpresas que pode trazer o "mar tenebroso" em que às vezes se transforma o processo democrático.

Rafael Barbosa

Centralismo eleitoral

É um dos paradoxos das autárquicas. São 308 eleições (tendo apenas em conta os municípios), com campanhas dirigidas a territórios e populações diferentes, com problemas e aspirações distintas. Mas, o que sobressai, por norma (em particular nas rádios e nas televisões), é a força mediática da "volta pelo país" de todos e cada um dos líderes políticos nacionais. As eleições mais descentralizadas do país são, por vontade dos aparelhos partidários, fortemente centralizadas na promoção do líder e da sua mensagem.