Julgamento

Do amor a "uma coisa horrível": Amber chora em tribunal ao recordar "explosões" de Depp

Do amor a "uma coisa horrível": Amber chora em tribunal ao recordar "explosões" de Depp

Ao longo de pouco mais de duas horas, Amber Heard, que falou, na quarta-feira, pela primeira vez durante o julgamento do processo por difamação movido pelo ex-marido, Johnny Depp, descreveu uma relação marcada por violência, álcool, droga, ansiedade, ameaças de morte e medo.

Ciúme doentio, murros na parede, agressões físicas e ímpetos de raiva motivados pelo excesso de álcool. A atriz Amber Heard voltou, na quarta-feira, a fazer duras acusações ao ex-marido, Johnny Depp, no âmbito do processo milionário de difamação que o ator de "Pirata das Caraíbas" apresentou contra a antiga companheira.

Em lágrimas, no banco de testemunhas, a modelo, de 36 anos, reconheceu que, apesar de Depp, de 58 anos, ser "o amor" da sua vida, era, também, noutras alturas, "outra coisa". "Uma coisa horrível", garantiu.

Os atores casaram-se em fevereiro de 2015, em Los Angeles, mas o laço quebrou-se em 2017, manchado por acusações de violência doméstica e uma ordem de restrição contra Johnny Depp, que pagou sete milhões a Amber. No entanto, estes episódios marcaram apenas o início do fim. Os dois artistas reencontraram-se, agora, em tribunal na sequência de um processo movido pelo também produtor, na sequência de um artigo publicado no "The Washington Post" em que Amber, sem referir nomes, se dizia vítima de abusos físicos e psicológicos. Acusações negadas pelo ator.

Durante o mediático julgamento no Condado de Fairfax, Heard recordou o "romance-relâmpago" que surgiu em 2011, nos bastidores das filmagens de "O diário a rum". "Apaixonei-me perdidamente por ele", contou, citada pela AFP. "Quando estávamos juntos sentia eletricidade pelo corpo todo, não conseguia ver direito", acrescentou, explicando que o ponto de viragem ocorreu em 2012, quando o ex-marido "começou a beber". "Ele desaparecia e voltava diferente", frisou, revelando que Depp lhe bateu, pela primeira vez, apenas por ela se rir de uma das suas tatuagens.

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Chegou, depois, o ciúme desmedido, acrescentou a modelo. "Acusava-me constantemente de ter casos. Assim que parecia tê-lo convencido de que não andava a dormir com uma pessoa, ele lembrava-se de outra", descreveu. E do ciúme surgiam "as explosões". "Partia um copo, virava uma mesa e dava murros na parede, bem perto da minha cabeça", afirmou.

A atriz disse ainda ao júri que o julgamento em curso é das coisas "mais dolorosas" que já teve de enfrentar. "Luto para encontrar palavras para descrever o quão doloroso isto é para mim. É horrível ter de me sentar aqui a reviver isto tudo", garantiu.

De referir que Dawn Hughes, psicóloga contratada pela defesa de Amber, afirmou em tribunal, na terça-feira, que a artista sofreu de stress pós-traumático na sequência da "violência do parceiro íntimo, Sr. Depp".

Declarações que colidem com as de Shannon Curry, psicóloga clínica e forense que testemunhou a favor do ator, defendendo que a modelo sofre, isso sim, de um distúrbio de personalidade.

Ao longo de duas horas de um testemunho que está apenas no início, Amber recordou ainda, em lágrimas, um episódio de 2013, acusando o ex-marido de lhe ter procurado droga na vagina, durante uma estadia num parque de caravanas na Califórnia.

"Onde é que está? Há quanto tempo é que a estás a esconder", terá questionado o conhecido ator de Hollywood. "Rasgou-me o vestido, agarrou-me o peito, tocou-me nas coxas, rasgou a minha roupa interior e depois começou a procurar pelas cavidades. Dizia que estava à procura da cocaína", contou.

"Enfiou os dedos dentro de mim. Eu não sabia o que fazer, fiquei ali parada. E ele continuava a contorcer os dedos dentro de mim", acrescentou.

A atriz garantiu ainda ter recebido ameaças de morte do companheiro, quando estavam num iate nas Baamas. "Agarrou-me pelo pescoço e segurou-me durante um segundo. Depois disse que me podia matar e que eu era um obstáculo", recordou.

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