Memória

Concerto mítico dos UHF reeditado 30 anos depois

Concerto mítico dos UHF reeditado 30 anos depois

CD duplo esgotado do espetáculo de 1990 na Incrível Almadense lançado de novo a pedido dos fãs.

"Não foi o melhor concerto que demos, do ponto de vista técnico, mas foi um dos mais intensos e selvagens, com a sala a abarrotar e as paredes do camarim a escorrerem suor". A descrição é de António Manuel Ribeiro, líder dos UHF, e o concerto a que se refere teve lugar há 30 anos, no salão de festas da Incrível Almadense, em Almada. O registo do espetáculo foi agora reeditado em CD duplo, em versão masterizada e com uma série de bónus.

A memória dessa "intensidade" foi apenas uma das razões para recuperar o concerto de 1990, explica o vocalista: "Foi a última vez em que a formação original esteve junta em palco. Renato Gomes, Carlos Peres e Zé Carvalho participaram em quatro temas como músicos convidados. E houve também uma grande pressão dos fãs para que o disco, esgotado há anos, fosse reeditado".

Entre as novidades do álbum, que inclui algumas das mais célebres canções dos UHF, como "Rua do Carmo", "Cavalos de corrida" ou "Rapaz caleidoscópio" (que foi o "pico do concerto", segundo António Manuel Ribeiro), encontram-se os quatro temas do mini-LP "Este filme-Amélia recruta" e as canções "Estou de passagem" e "Geraldine", além de um booklet com diversas críticas e notícias sobre o espetáculo na Incrível Almadense.

Se "Julho, 13" tem 30 anos e a carreira dos UHF, iniciada em 1978, na Costa da Caparica, já ultrapassou os 40, a "urgência" da banda mantém-se igual, diz o vocalista: "Continuamos com a mesma seriedade e profissionalismo, nos ensaios, nas digressões, em estúdio." E o regresso à estrada, a partir de outubro, com datas já marcadas em Sintra e Setúbal, será acompanhado pelo lançamento de um novo álbum de originais, o primeiro desde "A minha geração", de 2013, revelou António Manuel Ribeiro ao JN.

O facto da banda não ter parado durante o confinamento, com diretos semanais via Facebook e Instagram, "que chegaram a portugueses da China à Colômbia", ajudou o cantor a perceber melhor o "valor social da música popular": "Aprendi com os meus mestres, o Zeca Afonso e o José Mário Branco, que as palavras devem ter um peso e um significado, devem chegar às pessoas. Talvez por isso, nunca segui carreira na política".

Ribeiro chegou a ser deputado municipal em Almada, e teve convites para ser vereador em Setúbal e para integrar o Governo de Macau durante as eleições presidenciais de 1986. "Era incapaz de seguir uma disciplina partidária. Mas, enquanto artista, também posso intervir como trovador inquietante e inquietado".

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Caso de assédio dá origem a romance e filme

Além de disco novo, a lançar em outubro, António Manuel Ribeiro prepara também a edição do seu primeiro romance, " O lado negro da paixão", que se debruça, em modo ficcionado, sobre o caso de "stalking" de que foi vítima, entre 2003 e 2012. A história da fã que perseguiu o vocalista durante nove anos será também objeto de uma adaptação cinematográfica por parte do realizador Jorge Paixão da Costa.

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