Música

Manel Cruz, Adolfo Luxúria Canibal e Sensible Soccers numa Esfera que inventa canções em vinil

Manel Cruz, Adolfo Luxúria Canibal e Sensible Soccers numa Esfera que inventa canções em vinil

Músicos portugueses gravam inéditos em projeto com curadoria de André Tentugal e Henrique Amaro.

A premissa é simples: convidar cinco artistas portugueses, que convidam outros artistas, parelhas que em muitos casos nunca tinham trabalhado juntas, levá-los para uma residência artística de três dias e gravar dois temas inéditos. É este o projeto "Esfera", com curadoria do músico e realizador André Tentugal e do radialista Henrique Amaro, que desafiaram os Mão Morta, Sensible Soccers, Miramar, Joana Gama e Manel Cruz a gravar no estúdio Arda, em Campanhã, no Porto.

André Tentugal e Henrique Amaro têm "uma ligação íntima com a música portuguesa" e a ideia do esfera já existia pré-pandemia, mas só depois ganhou forma. "Sentimos que seria uma forma de apoiar os artistas e também o ARDA, um estúdio recente com condições ímpares no país e que ficou parado na pandemia.", afirma André Tentugal ao JN. O projeto acarreta outra necessidade: "Descentralizar, ou seja, sair da bolha de Lisboa e trazer bandas para o Porto e trabalhar com as equipas de cá".

Esfera está ligado a uma lógica de "residência artística, com toda a liberdade criativa", e os artistas saem do Arda com a "chave na mão", ou seja, com o conteúdo musical e visual.

Manel Cruz foi o último participante e convidou o próprio André Tentugal e Miguel Ramos. "Gravámos a canção "Sem título", com o Tentugal, uma canção de despedida de um amor, de esquecimento, daí ser sem título", explica Manel Cruz. "E depois o tema "Quanto me levas", com o Miguel Ramos, mas que também contará com a participação do André, sobre uma viagem que fazemos com alguém."

"Já havia rascunhos de músicas e foi uma oportunidade para as gravar", prossegue Manel Cruz. "Eu sou um bicho de buraco nestas coisas mas um projeto como este, com estas pessoas e num estúdio destes, vale imenso, porque podes dedicar-te por completo à parte criativa."

Sobre o medo de copiar, Manel Cruz afirma: "Toda a minha vida copiei sem o propósito de copiar, mas com a consciência de que é inevitável copiar. Da mesma maneira que é inevitável ser original. Não tenho esse medo, porque somos esponjas de tudo o que se passa à nossa volta. Até acho que é uma coisa boa transportarmos a criatividade e sabedoria uns dos outros".

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Os cinco registos em vinil serão editados em março de 2022 em edições limitadas a 200 cópias. Cada artista terá um disco com um tema em cada lado. Uma escolha improvável mas com razão de ser: "Aumenta exponencialmente a qualidade sonora de quem ouvir. Quanto menos músicas gravadas [numa face de um disco de vinil], maior a qualidade". A venda dos discos ficará sob a responsabilidade de cada artista participante em Esfera.

O projeto, descreve André Tentugal, é "quase como miúdos a brincar num parque infantil. Foi tudo muito improvável e feito com toda a liberdade".

O Esfera juntou ainda os Mão Morta com Pedro Sousa, tudo feito numa sessão de improviso. Joana Gama juntou-se a Angelica Salvi e a Adolfo Luxúria Canibal; este último "trouxe uma espécie de cadáveres de textos, montou um puzzle de palavras e tudo seguiu a partir daí". O projeto Miramar aliou-se a JP Simões e os Sensible Soccers dialogaram em estúdio com Carlos Maria Trindade.

A ideia de um novo capítulo para este projeto é incerta. "O Esfera só foi possível com o apoio do Garantir Cultura, e uma futura edição dependerá de algum programa similar. Os projetos editoriais são um bocado ingratos porque há muito pouco retorno económico e, no nosso projeto em particular, não existe nenhum tipo de fim lucrativo. Todo o dinheiro foi investido nas despesas associadas", afirma André Tentugal.

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