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Mj Rodriguez : uma vida a abrir caminhos

Mj Rodriguez : uma vida a abrir caminhos

A atriz Mj Rodriguez recebeu ontem o Globo de Ouro para Melhor Atriz em série dramática, pelo seu papel em "Pose", título da FX, fazendo história ao ser a primeira mulher transgénero a receber o galardão. A atriz foi também pioneira o ano passado, altura em que se tornou a primeira mulher trans nomeada para um Emmy.

Michaela Anthonia Jaé Rodriguez cumpriu 31 anos a semana passada, dia 7. A atriz, nascida em Newark, Nova Jérsia, é filha de dois afro-americanos, contando o pai ainda com ascendência porto-riquenha. Segundo gosta de contar em entrevistas, desde os sete anos que queria ser atriz, tendo os pais inscrito Rodriguez no New Jersey Performing Arts Center. Um primeiro passo na formação que prosseguiria na Newark Arts High School, concluindo a formação na mítica Berklee College of Music, em Boston, onde foi aluna de mérito, recebendo várias bolsas.

Ela assumiu como nome artístico Mj Rodriguez em homenagem à personagem da Marvel Comics Mary Jane "MJ" Watson. Rodriguez assume-se uma aficionada da banda desenhada daquela casa editorial.

Mj Rodriguez começou por se assumir aos pais como "bissexual/gay" aos 14 anos, facto que os pais aceitaram. Em entrevista, conta que era "uma fase em que estava em negação". Com a mesma idade, envolve-se nas danças de salão e o pai ensina-lhe as técnicas de voguing.

Enquanto estudava na universidade, Rodriguez foi escolhida para uma produção teatral de "Rent", no papel de Angel Dumott Schunard, uma personagem que ela queria interpretar desde a primeira vez que viu a adaptação para o cinema de 2005. A atuação de Rodriguez, um desempenho que define como o de uma drag queen, valeu-lhe o Prémio Clive Barnes de 2011, criado em homenagem ao falecido escritor e crítico inglês homónimo. Foi o ponto de viragem: "Quando aquela cortina foi levantada e todos me viram vestida como um anjo, pensei, "Esta sou eu, uma mulher negra transexual a usar os pronomes femininos".

Seguiu-se um hiato em que Rodriguez iniciou a transição. Começou com uma terapia de reposição hormonal no início de 2016, ressurgindo num novo capítulo como atriz feminina, tendo contactado o seu agente para o informar que não faria mais castings para papéis masculinos.

Apesar de algumas reservas, Rodriguez descobriu que apoiava totalmente sua nova identidade de género. De 2012 a 2016 apareceu em pequenos papéis na televisão, incluindo em "Nurse Jackie" e "The Carrie diaries". A aparição em 2016 em "Luke Cage", num papel sem falas, marcou a primeira aparição de uma atriz transgénero no universo cinematográfico Marvel.

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Após a reaparição como mulher, Rodriguez carregou um vídeo no Facebook a cantar "Satisfied", do musical da Broadway "Hamilton". O vídeo valeu um convite para fazer um teste para o papel de Peggy Schuyler/ Maria Reynolds nessa produção. A notícia da sua audição como atriz trans para um papel de cisgénero colocou a Broadway e os meios LGBTQI+ em polvorosa.

Seguiram-se várias produções para palco e um papel secundário no filme independente "Saturday church" como Ebony. O filme de 2017, estreado em janeiro de 2018, retrata um adolescente em fuga, mas não deixa de explorar a sua identidade de género no contexto de um baile underground. A sua interpretação como Ebony valeu-lhe uma nomeação para Melhor Atriz no Tribeca Film Festival.

É também em 2017 que Mj Rodriguez é escolhida para o papel principal de Blanca Evangelista na série "Pose", após uma pesquisa de elenco que durou seis meses. A série foi criada por Ryan Murphy, Brad Falchuk e Steven Canals e fez história ao escolher cinco atrizes transexuais para os papéis principais. O episódio piloto de "Pose" entrou em produção em novembro de 2017, estreando-se em junho de 2018 com críticas positivas. A série decorre em Nova Iorque durante a década de 1980 e explora a vida de pessoas queer da comunidade afro e latino-americana.

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