Banda Desenhada

Tarzan abandona jornais ao fim de 92 anos

Tarzan abandona jornais ao fim de 92 anos

Tira diária com as aventuras do senhor da selva terminará a 20 de Junho

92 anos após a sua estreia nos jornais, as aventuras de Tarzan deixarão se ser publicadas na imprensa norte-americana. O anúncio foi feito pela Andrews McMeel Syndication (AMS), a empresa responsável pela distribuição nos jornais de tiras diárias e pranchas dominicais de séries de BD como "Big Nate", "Calvin and Hobbes", "Cathy", "Dilbert" ou "Garfield".

Na verdade, desde 1972 que não eram produzidas novas tiras diárias do homem-macaco (desde 2002 no que respeita às pranchas dominicais), estando a ser redistribuídas histórias antigas. A falta de novidades, por um lado, e o desfasamento entre as tiras dos anos 1950, atualmente em publicação, e os tempos atuais, por outro, fizeram com que os jornais, gradualmente, fossem substituindo as suas aventuras por séries novas, sendo mínimo o número dos que ainda mantinha Tarzan nas suas páginas.

A propósito desta decisão, Jim Sullos, presidente da Edgar Rice Burroughs, Inc., declarou que "Tarzan provou ser uma personagem intemporal, mantendo as suas qualidades de força, coragem, protector da vida selvagem e do meio ambiente, e defensor dos necessitados, mesmo quando se adapta ao mundo em mudança. Cada geração tem o seu Tarzan, e a sua maneira própria de vivenciar as aventuras do homem-macaco".

E acrescentou, "estamos extremamente orgulhosos dos 92 anos de carreira de Tarzan na imprensa e à medida que esta foi evoluindo, Tarzan foi-se adaptando".

Foi por esse motivo que "há cerca de uma década, fizemos a transição das histórias em quadradinhos de Tarzan para a nossa plataforma online, tendo contratado grandes talentos da indústria de comics, como Roy Thomas e Thomas Grindberg" que prosseguiram com as suas aventuras a partir do ponto em que elas tinham sido suspensas, em 2002.

Tarzan já está no domínio público

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Tarzan foi uma criação do escritor norte-americano Edgar Rice Burroghs (1875-1950), estreada no folhetim "Tarzan of the Apes", publicado a partir de 1912 na revista "All-Story Magazine", que narrava como o filho de um lorde britânico, abandonado na selva africana, ficou órfão e cresceu com os grandes gorilas até se tornar seu chefe.

O senhor da selva chamou a atenção do cinema, onde foi interpretado pela primeira vez por Elmo Lincoln, em 1918, num filme mudo, mas seria com a chegada do sonoro e das interpretações do antigo campeão olímpico de natação, Johnny Weissmuler, a partir de 1932, que se tornaria um dos heróis de maior popularidade durante décadas.

Antes disso, em 1929, surgiria em banda desenhada, curiosamente pela mão de Harold Foster, que se tornaria famoso com a criação do "Princípe Valente", oito anos mais tarde. Foster assinou a tira diária a partir de 7 de Janeiro de 1929, encarregando-se também das pranchas dominicais a cores a partir de 27 de Setembro de 1931.

Ao longo de mais de sete décadas, passaram por elas autores como Rex Mason, Dan Barry, Jesse Marsh ou Bob Lubbers, mas os seus expoentes foram Burne Hogarth e Russ Manning. Muitas destas histórias foram publicadas no nosso país, a partir de 1941, tendo cabido à "Diabrete" a honra de estrear Tarzan em português. O "Cavaleiro Andante" e, principalmente, o "Mundo de Aventuras" e o "Jornal do Cuto", entre muitas outras, também o acolheram nas suas páginas e, na década de 1970, a sua popularidade justificou mesmo a criação de duas revistas com seu nome.

Aproveitando o facto de Tarzan ter caído recentemente no domínio público, a Soleil acaba de editar em França uma adaptação em BD do primeiro romance de Burroughs, "Tarzan, Seigneur de la Jungle", numa versão dura e sombria assinada por Christophe Bec e Stevan Subic.

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