Inglaterra

"Há pelo menos dois jogadores por clube que são homossexuais", revela ex-futebolista

"Há pelo menos dois jogadores por clube que são homossexuais", revela ex-futebolista

Patrice Evra lamentou que os jogadores profissionais não assumam a orientação sexual por medo de serem prejudicados na carreira. "Se revelares que és gay, acabou".

No desporto, principalmente no futebol, a homossexualidade continua a ser um tema quase tabu. Por trás de cada atleta que não se assume, existem histórias de angústia, de medo de gozos e insultos ou até vidas duplas. O caminho faz-se de uma forma muito lenta e Patrice Evra confirma-o. O ex-defesa francês, que passou por clubes como Manchester United ou Juventus e conquistou títulos como a liga inglesa ou uma Liga dos Campeões, lançou uma autobiografia, intitulada "I Love This Game", e lamentou que a homossexualidade no futebol ainda seja um tabu.

"Há pelo menos dois jogadores por clube que são homossexuais. Mas no mundo do futebol, se revelares isso, acabou", disse o jogador em entrevista ao "Le Parisien", partilhando ainda que teve colegas que eram homossexuais e que só tiveram coragem de o revelar a Evra.

"Quando eu estava em Inglaterra, o clube trouxe uma pessoa para falar com a equipa sobre homossexualidade. Alguns dos meus companheiros disseram coisas como: 'É contra a minha religião, se existe algum homossexual neste balneário tem de sair do clube'. Naquele momento, eu disse: 'Calem-se'. Mas continua a ser algo sobre o qual os jogadores homossexuais têm medo de falar".

Alguns jogadores, como Thomas Hitzsperger ou Robbie Rogers, do Leeds United, chegaram a assumir a homossexualidade, recordou o "The Guardian", mas só no final das suas carreiras.

Jogador alvo de insultos

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Josh Cavallo, jogador do Adelaide United, da liga australiana, assumiu a homossexualidade em outubro, em vídeo. O médio de 21 anos revelou que manteve a orientação sexual escondida durante anos, por medo de não poder cumprir o seu sonho de ser futebolista.

"Lutei contra a minha sexualidade durante mais de seis anos, e estou satisfeito por esse assunto estar resolvido. A crescer, senti sempre a necessidade de esconder-me, porque tinha vergonha. Vergonha de não poder fazer o que amo e ser gay. A esconder quem eu realmente sou, para perseguir um sonho de criança. Quero ajudar a mudar isto, para mostrar que todos são bem-vindos no futebol e que merecem o direito de ser quem realmente são. É surpreendente saber que não existem, de momento, jogadores gays profissionais, não só na Austrália, mas no mundo. Espero que isto mude num futuro próximo", afirmou.

Esta segunda-feira, o jogador australiano revelou, através de uma mensagem nas redes sociais, que toi alvo de insultos homofóbicos durante um jogo. "Não vou fingir que não vi e ouvi os insultos homofóbicos no jogo de ontem à noite. Não há palavras para dizer o quão dececionado fiquei. Como sociedade, isso demonstra que ainda enfrentamos esse problema em 2022. O ódio nunca vencerá. Nunca me vou desculpar por viver a minha verdade e quem sou fora do futebol", escreveu.

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