Remunerações

Bancos pagaram mais de 25 milhões aos administradores

Bancos pagaram mais de 25 milhões aos administradores

Os salários dos líderes dos cinco maiores bancos em Portugal caíram em 2021. Entre remuneração fixa e variável, os presidentes executivos do BCP, BPI, CGD, Novo Banco e Santander ganharam 3,5 milhões de euros, menos 1,5% face aos cerca de 3,6 milhões auferidos em 2020.

Já o total das remunerações dos conselhos de administração ficou praticamente inalterado face a 2020. Foram atribuídos cerca de 25,5 milhões de euros, um valor ainda abaixo dos 26,5 milhões pagos antes da pandemia.

Em 2020, foram vários os alertas emitidos pela Comissão Europeia, a Autoridade Bancária Europeia e o Banco Central Europeu para os bancos limitarem as remunerações devido à incerteza económica. Mas com a economia a sair da crise em 2021, alguns bancos decidiram melhorar a remuneração dos seus administradores. Foi o caso do Santander e do BCP.

O maior cheque

No caso do banco de capitais espanhóis, o total das remunerações atribuídas aos seus 14 administradores em 2021 foi de 6,5 milhões de euros, mais 1,88 milhões que no ano anterior. A melhoria explica-se pelo maior peso da componente variável, que representou 2,6 milhões. Já no BCP, os 17 elementos da Administração receberam quase 7,5 milhões de euros em 2021, uma subida de quase 430 mil euros face ao ano anterior. A explicação reside também no regresso da componente variável, após esta não ter sido distribuída em 2020.

Mas em alguns casos houve descidas. No BPI, os 15 administradores receberam este ano 4,9 milhões de euros, menos cerca de 2 milhões do valor auferido em 2020 que incluiu prémios referentes a exercícios anteriores. No entanto, após terem renunciado aos prémios, os responsáveis não receberam remuneração variável em 2021.

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Os bancos com o "board" menos dispendioso são o Novo Banco - 3,1 milhões de euros, não contando com os 1,6 milhões de prémios propostos - e a CGD que comunicou um encargo de 3,4 milhões com os seus gestores.

Analisando as remunerações individualmente, Pedro Castro e Almeida, responsável pela operação do Santander em Portugal, foi o mais bem pago em 2021. E foi o único CEO dos cinco maiores bancos a ultrapassar o patamar de um milhão de euros. Pelo seu desempenho no ano passado, foi pago um salário fixo de 513 mil euros (valores sem impostos). A este valor, acrescem mais 539 mil euros de remuneração variável atribuída, que será paga em numerário (261 mil euros) e em ações do banco (278 mil) que terão de ficar retidas pelo menos um ano. O líder do banco viu ainda ser-lhe atribuída remuneração variável que será paga de forma faseada nos próximos anos e que está dependente de objetivos.

Ao líder do BCP, Miguel Maya, foram atribuídos 947 mil euros, entre salário fixo e variável, incluindo 130 mil euros de complemento de reforma. Trata-se de uma ligeira queda face aos 1,04 milhões de 2020, mas um aumento face aos 888 mil euros atribuídos em 2019. A diferença dos valores prende-se com a remuneração variável, até porque o salário fixo, no valor de 650 mil euros, tem sido constante. Em terceiro lugar entre os CEO mais bem pagos surge João Pedro Oliveira e Costa. O sucessor de Pablo Forero aos comandos do BPI ganhou 743 mil euros e tal como o restante "board" não teve qualquer remuneração variável.

Ao líder do Novo Banco foi atribuído um salário de 410 mil euros pelo desempenho do ano passado, que ainda pode vir a engordar, tendo em conta que o banco propôs prémios à Administração no valor de 1,6 milhões de euros referentes a 2021, o primeiro ano em que registou lucros mas pediu nova injeção de capital ao Fundo de Resolução.

Por fim, o CEO do banco público, Paulo Macedo, manteve o salário fixo de 423 mil euros. E tal como em 2020, os membros executivos da CGD não tiveram remuneração variável, "estando tais pagamentos ainda dependentes de decisão do acionista da Caixa", leia-se o Estado.

Salários dos CEO

Os salários dos CEO dos cinco maiores bancos em Portugal caíram 1,5% em 2021. Entre remuneração fixa e variável, os líderes executivos do BCP, BPI, CGD, Novo Banco e Santander ganharam 3,5 milhões de euros.

Administração

Aos conselhos de administração foram atribuídos cerca de 25,5 milhões de euros, um valor ainda abaixo dos 26,5 milhões que se verificavam antes da pandemia.

Novo Banco

Os prémios de 1,6 milhões de euros propostos à gestão do banco só poderão ser pagos após o aval da Comissão Europeia à conclusão do plano de reestruturação do Novo Banco desenhado em 2017.

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