Crise política

Banqueiros apontam "vitalidade", "transformação" e "rejuvenescimento" na mudança

Banqueiros apontam "vitalidade", "transformação" e "rejuvenescimento" na mudança

Os presidentes executivos do BCP, Caixa Geral de Depósitos e Novo Banco consideraram, respetivamente, que a "vitalidade", a "transformação" e o "rejuvenescimento" serão importantes para o próximo ciclo político, quando instados a comentar sobre a dissolução do parlamento.

"Concordo com o presidente da República. Concordo que o tema da vitalidade se sobrepõe, na minha opinião, ao tema da estabilidade", afirmou o presidente executivo do BCP, Miguel Maya, na Money Conference, um evento organizado pela Global Media numa unidade hoteleira de Lisboa, que junta os principais protagonistas dos bancos portugueses.

Para Miguel Maya, "a vitalidade exige mudança" e que "as coisas sejam permanentemente questionadas".

"Eu preservo e valorizo muito a estabilidade. Mas se me perguntar o que é que prefere, se estabilidade ou vitalidade, para mim, não tenho nenhuma dúvida: vitalidade", sustentou.

Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), sem comentar diretamente a decisão do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de dissolver a Assembleia da República, defendeu que "Portugal precisa de uma capacidade de transformação".

Assim, para o líder da Caixa, o país "precisa que em termos políticos haja uma possibilidade de fazer reformas", pelo que "não vale a pena de dizer que são gestão corrente".

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"Não é gestão corrente, são reformas, capacidades de adaptação que precisam de ser feitas", advogou, salientando ainda a importância de que o próximo quadro político nacional "possa ter capacidade de tomada de decisão".

"Nós vemos, por exemplo, a escassez de leis que tivemos, o que não é necessariamente mau. Mas todos sabemos que sabemos que tivemos uma escassez de leis pela dificuldade que há em aprovar leis por causa do legislador querer estar mais sereno, e forçosamente respeitar a boa política legislativa, que é mexer o mínimo possível", observou.

Paulo Macedo disse ainda estar "à espera que haja imensas coisas que não parem", mas sim, "pelo contrário, que até haja uma urgência da execução".

"O PRR, a transformação digital, os nossos compromissos em termos ambientais, o plano contra a corrupção (...), há coisas que têm que seguir", defendeu, considerando que "a conversa bastante útil é se o país devia ficar paralisado", e aí considerou "claramente que não".

Já António Ramalho, presidente executivo do Novo Banco, comentando a situação política, referiu que "a democracia tem os próprios mecanismos de rejuvenescimento e, portanto, nada fica na mesma, mesmo que os resultados fiquem exatamente na mesma", algo que "faz parte do caráter transformador da própria democracia".

O responsável do Novo Banco salientou, ao invés, a "oportunidade bastante importante que é" a existência de "um quadro de estabilidade bastante óbvio do ponto de vista da política europeia, ainda que com alguns graves populismos à direita em alguns países do Leste".

"Vamos ter linhas muito específicas sobre o desígnio global da Europa. Saibamos nós aproveitar esse desígnio e acreditar que esse desígnio nos diferencia nos vários quadros regionais nos quais vamos ter de operar, competindo com outros blocos", sustentou.

António Ramalho anteviu também que "a política monetária como está definida, com algum quadro específico, poderá permitir um nível de inflação à volta dos 2%".

Já o administrador do BPI Francisco Barbeira, comentando a atualidade política, afirmou que "se a pergunta em abstrato fosse se era melhor, nesta altura, ter uma solução política que garantisse a boa execução" do PRR, "é evidente que do ponto de vista teórico, sim".

"A partir do momento em que os agentes políticos percebem que não têm essas condições, penso que a solução que temos neste momento era absolutamente fundamental", sendo o mesmo válido para a criação de "um novo quadro de estabilidade política".

O presidente da República anunciou na quinta-feira ao país que vai dissolver o parlamento, decisão que propôs na quarta-feira ao Conselho de Estado e que obteve parecer favorável.

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