Trabalho

Ordenado médio cresce menos e aproxima-se do salário mínimo

Ordenado médio cresce menos e aproxima-se do salário mínimo

Remunerações-base voltaram a aumentar, mas abaixo do salário mínimo nacional, em termos médios. Retribuição mínima representa já quase dois terços da média salarial de todo o país.

A evolução da média salarial continuou a não acompanhar o ritmo de subida do salário mínimo nacional (SMN) no ano passado, continuando a aproximar-se as duas referências nas remunerações. Em 2021, a retribuição mínima legal cobriu já perto de dois terços da média de remunerações-base pagas aos trabalhadores.

Nos dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com base nas remunerações declaradas à Segurança Social e à Caixa Geral de Aposentações, o salário-base médio chegou no ano passado a 1039 euros brutos, mais 3% que em 2020 ( 1009 euros).

Já o SMN em vigor no último ano subiu 4,7% para 665 euros, valor que cobria já 64% do salário médio. Os dados do INE, que recuam até 2015, mostram que a proporção da média de remunerações coberta pelo valor da retribuição mínima tem vindo a crescer continuamente, com exceção de 2019. A percentagem passou de 55%, em 2015, a 64% em 2021. Neste período, a média de salário-base subiu em 123 euros (+13,4%), ao passo que o SMN aumentou em 160 euros (+31,7%).

Mas, diferentes setores de atividade têm relações muito diversas com o SMN. As atividades administrativas e serviços de apoio, com uma base salarial média de 681 euros, praticamente não descolam do valor de retribuição mínima de 2021, tal como a agricultura. Aqui, o salário-base médio não vai além dos 685 euros. As atividades ligadas ao turismo (723 euros de média), construção (807 euros), outras atividades de serviços (901 euros), comércio (908 euros), águas e saneamento (927 euros), imobiliário (932 euros) e indústria (957 euros) são, também, setores nos quais o peso do salário mínimo nas remunerações médias é maior (superior a dois terços).

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No extremo oposto, a remuneração média (2364 euros) na energia e nas águas é a que mais se distancia do salário mínimo, que cobre apenas 28% da média de salário-base nestas atividades. Estão, também, muito distantes do valor de salário mínimo as médias salariais em organismos internacionais (1775 euros), bancos e seguradoras (1726 euros), educação (1701 euros), na informação e comunicação (1608 euros), na administração pública, defesa e segurança social (1278 euros), e consultorias científicas e técnicas (1239 euros).

Já os setores que mais se aproximam da média salarial nacional são os das artes, lazer e desporto (1076 euros), minas e pedreiras (1073 euros), transportes e armazenagem (1056 euros) e saúde e serviço social (1031 euros). Nestas atividades, a retribuição mínima cobre em torno de 60% das médias salariais.

desafio da governação

As subidas do SMN - que prevalece em atividades com mais trabalhadores, como comércio, serviços e indústria - contribuem, também, para a elevação das remunerações médias.

Mas a diferença de ritmos de crescimento e convergência com a média salarial marcou o recente debate da campanha para as eleições legislativas - na qual o partido vencedor, o PS, apontou para uma subida da retribuição mínima até aos 900 euros até 2026 - e é um desafio assumido para a próxima governação. O regresso às discussões de um acordo de rendimentos e de competitividade é esperado nesta legislatura.

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