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"Não podemos ficar impávidos e serenos"

"Não podemos ficar impávidos e serenos"

Diretor médico da Janssen lembra que um em cada cinco portugueses tem algum tipo de perturbação mental ao longo da vida.

Se é certo que a pandemia "trouxe a saúde mental para o topo das preocupações dos portugueses", como assinalou, na abertura do webinar, Manuel Salavessa, diretor médico da Janssen, não é menos certo que há um gigante caminho a fazer até "reduzir a carga, a incapacidade e a deterioração causadas pelas doenças mentais e melhorar a vida dos doentes".

Os números sustentam a análise de Manuel Salavessa. Entre as dez primeiras causas de incapacidade, cinco são doenças mentais. Estima-se que um em cada cinco portugueses tenha algum tipo de perturbação ao longo da vida. Portugal tem 48 mil doentes com esquizofrenia, dos quais 7 mil não têm acompanhamento médico.

Mais: em 2017, ocorreram em Portugal mil mortes por suicídio, recordou o diretor médico da farmacêutica. E acrescentou: "O suicídio é, aliás, a principal causa de morte em crianças e jovens adultos: uma em cada seis mortes ocorre em pessoas entre os 10 e os 29 anos. Os estudos mais recentes mostram que a depressão multiplica por 20 as hipóteses de suicídio. Em 2019, a depressão afetou cerca de 716 mil portugueses". Conclusão: "Não podemos ficar impávidos e serenos".

Como combater este estado de coisas? Aumentando a literacia e reduzindo o estigma. "mesmo na classe médica", disse Manuel Salavessa. Alocando investimento financeiro em saúde mental. "É investido em saúde mental menos de metade do que é necessário". Diminuindo a falta de recursos humanos em todas as regiões do país, aumentando as vagas para internamento e melhorando os cuidados de saúde primários.

"O diagnóstico está bem feito e as soluções estão identificadas". Resta, portanto, trilhar o caminho.

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