PRÓSTATA DE LÉS A LÉS

Cancro da Próstata – Urologistas reivindicam mais rapidez no acesso ao diagnóstico precoce

Cancro da Próstata – Urologistas reivindicam mais rapidez no acesso ao diagnóstico precoce

"Temos de aumentar a capacidade de ver os doentes de primeira vez e ser mais céleres nos diagnósticos precoces". O desejo do médico e presidente da Associação Portuguesa de Urologia (APU), Luis Abranches Monteiro, sintetiza parte das preocupações que a iniciativa "Próstata de Lés a Lés" está a recolher junto dos urologistas.

Trata-se de uma viagem de norte a sul que tenta perceber quais as principais dificuldades e assimetrias no combate ao cancro da próstata, patologia que todos os anos mata quase dois mil homens em Portugal. "O grande desafio que temos pela frente é conseguir fazer os exames iniciais", alerta Abranches Monteiro que compara e até considera Portugal na vanguarda do acompanhamento depois da doença diagnosticada. "Arriscaria dizer que temos uma situação um pouco melhor do que acontece em muitos países europeus principalmente no que diz respeito ao tratamento. O nosso problema é o acesso rápido aos cuidados de saúde primários onde começa o diagnóstico. Depois a questão prolonga-se até ao acesso aos cuidados hospitalares. Neste particular considero que temos muita coisa a melhorar começando, desde logo, pelos tempos de espera que estão agora ainda mais perturbados com a pandemia". Abranches Monteiro aponta o dedo à falta de recursos humanos, mas afirma que o problema não é a falta de médicos. "Há um excesso de burocracia no Serviço Nacional de Saúde que nos ocupa em muitas outras tarefas extra clínica. Aquilo para que nós realmente precisamos dos médicos é para ver os doentes e tomar decisões e, muitas vezes, isso fica em segundo plano". O caminho, aponta, é repensar seriamente o assunto. "Todos temos de o fazer porque os médicos são suficientes no país. Tem é de haver maior aproveitamento dos recursos. Existe um rácio de médico por habitante que talvez seja dos melhores da Europa, mas, por outro lado, temos uma eficácia de todo o sistema como das piores neste aspeto da celeridade de acesso aos cuidados de saúde".

País a duas velocidades

Abranches Monteiro está agora a terminar um mandato de quatro anos à frente da Associação Portuguesa de Urologia, parceira do projeto "Próstata de Lés a Lés" que faz o diagnóstico ao "estado da arte". O presidente cessante da entidade que abrange cerca de 400 médicos, a quase totalidade dos urologistas portugueses, aguarda com expectativa os resultados da iniciativa, mas não tem grandes dúvidas sobre as conclusões. "Portugal é um país pequeno e apresenta algumas assimetrias, principalmente no acesso aos cuidados de saúde. Noto que essas assimetrias são maiores entre regiões portuguesas. Se compararmos Portugal com outros países não temos essas diferenças tão acentuadas. É verdade que já foi pior, mas continuamos a encontrar discrepâncias entre os grandes centros e algumas regiões do interior. Mesmo no litoral, onde temos a perceção que há sempre melhores cuidados de saúde, é onde enfrentamos as maiores dificuldades com os tempos de espera na passagem dos doentes dos centros de saúde para os hospitais. Isso acontece, sobretudo, devido à densidade populacional". A causa dos problemas é, na opinião do presidente da sociedade científica, um denominador comum nas várias latitudes: a falta de recursos humanos.

Tratamentos mudaram na última década

O tratamento hospitalar e o acesso às inovações terapêuticas merecem de Abranches Monteiro um alívio no tom critico. "Em termos oncológicos em geral e particularmente no cancro que agora estamos a abordar temos a felicidade de possuir os melhores diagnósticos e acesso à melhor terapêutica". As inovações vieram nos últimos anos mudar o paradigma da carga física e emocional que o cancro da próstata sempre motivou. "O processo curativo evoluiu exponencialmente, elucida o presidente da APU. "Já não é como há 10 anos. O número de perturbações de incontinência ou da função sexual é menor e as novas terapêuticas médicas trouxeram maiores benefícios e uma qualidade de vida sem precedentes. É importante que as pessoas quando já estão nos últimos anos de vida tenham uma boa qualidade de vida. E esta é a grande mais valia das novas terapêuticas neste momento". Interrogado sobre os diferentes níveis de acesso às novidades, Abranches Monteiro diz não acreditar que o Serviço Nacional de Saúde o pratique. "Até posso estar enganado, mas quero pensar que as inovações terapêuticas, mesmo sendo muito dispendiosas por enquanto, estão disponíveis para todos os doentes independentemente de estarem numa ou outra região do país. Espero que assim seja e, se assim não for temos de resolver a questão rapidamente, mas o nosso "calcanhar de Aquiles" e o que temos de rever, e com esta iniciativa também contribuímos para isso, é a capacidade de aumentar rapidamente os diagnósticos mais precoces. É esse exame que permite iniciar o processo da cura".

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