PRÓSTATA DE LÉS A LÉS

Taxa de Mortalidade é Alta e Custo dos Tratamentos Elevado

Taxa de Mortalidade é Alta e Custo dos Tratamentos Elevado

Especialistas defendem Rastreio ao Cancro da Próstata

Nunca foi consensual o rastreio ao carcinoma da próstata em homens saudáveis, mas começa a surgir uma nova corrente em defesa da orientação abandonada há mais de uma década. Nos grandes centros de decisão, o tema está novamente em cima da mesa e para o médico português, Abranches Monteiro, será uma questão prioritária em 2022. São os números altos da mortalidade e os custos dos tratamentos que justificam a nova atitude. "Há condições para voltar a ter este rastreio porque estão a aparecer, em muito maior número, homens com a doença em estado muito avançado. Esses doentes têm uma taxa de mortalidade bem mais elevada que outros e o tratamento em fase avançada pode custar, ao longo da vida, até vinte vezes mais do que na fase precoce".

Rastreio começa nos Médicos de Família

Na concretização de uma eventual política de rastreio, a medicina geral e familiar ganhará novo protagonismo. Atualmente são já os médicos dos cuidados primários de saúde que ao observarem determinados pacientes ativam procedimentos e exames de diagnóstico como análises sanguíneas, em que é possível verificar o marcador tumoral PSA, e o toque retal, necessário para avaliar o tamanho da próstata, a glândula masculina do tamanho de uma noz que aumenta consoante a idade.

Com novas orientações essa prática passará a ser rotina. "A partir de certa idade (45-50 anos) todos os doentes, mas sobretudo os indivíduos que tenham determinado perfil e historial familiar, serão alvo de análises sanguíneas pedidas pelos médicos de família", exemplifica o urologista Abranches Monteiro. "São análises muito simples e que podem detetar as primeiras suspeitas. Não são análises diagnósticas, mas podem despoletar o processo de confirmação de casos suspeitos e, nesse momento, já será o especialista a decidir avançar ou não para exames mais pormenorizados até chegar a um diagnóstico e à terapêutica a propor ao doente".

Rastreio precisa de acesso facilitado aos Cuidados de Saúde

O regresso ao rastreio do cancro da próstata como agora é apresentado obriga, na opinião do especialista, a maior facilidade de acesso às estruturas de saúde por parte dos utentes, a começar, desde logo, pelos cuidados primários. Mais grave ainda, lembra, é garantir consultas com os especialistas em tempo útil. "O número de pacientes que vai enfrentar estas situações aumentará exponencialmente. A batalha vai ser em várias frentes", alerta o médico que, em jeito de recado, lembra que "só vale a pena fazer diagnósticos precoces se tivermos celeridade nos processos para dar andamento aos resultados desse rastreio".

Assista aqui ao sétimo episódio

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