PRÓSTATA DE LÉS A LÉS

Urologistas e Radioterapia em Falta no Hospital de Viseu

Urologistas e Radioterapia em Falta no Hospital de Viseu

Viseu, conhecida pela cidade de Viriato em homenagem ao guerreiro lusitano que travou a expansão romana na Hispânia de meados do século II antes de Cristo, procura na atualidade as melhores armas para lutar contra as doenças da próstata.

Os médicos da urologia, especialidade que trata este tipo de patologias, afirmam que se trata de uma questão de saúde pública porque a esperança média de vida tem aumentado nas últimas décadas e a população portuguesa está muito envelhecida, o que potencia o número de vítimas. Os problemas relacionados com a próstata surgem maioritariamente nos homens mais idosos.

É para perceber como o país está a enfrentar o tema que nasceu o projeto "Próstata de Lés a Lés" do Jornal de Notícias, Diário de Notícias e TSF, desenvolvido em parceria com a Associação de Doentes da Próstata e Associação Portuguesa de Urologia. Em Viseu e outras cidades procuram-se especialistas que façam diagnósticos às atuais condições de combate ao carcinoma da próstata, vulgarmente conhecido por cancro, um dos mais letais entre os homens. Na cidade do centro de Portugal, Paulo Rebelo foi quem retratou a realidade urológica da região. Além de exercer no Hospital de São Teotónio do Centro Hospitalar Tondela-Viseu, possui uma clínica própria e ainda faz parte do Hospital CUF. A prática da urologia nos sistemas público e privado e as quase três décadas de especialidade dão-lhe autoridade e voz esclarecida. Sobre este combate começa por esclarecer que não faltam armas em Viseu, mas faltam profissionais. "Há acessos aos cuidados de saúde ao nível da urologia porque temos dois hospitais privados e consultórios que respondem às necessidades, mas a nível do Serviço Nacional de Saúde somos apenas quatro profissionais no hospital da cidade".

A constatação vem acompanhada pelo descritivo da área alargada de abrangência da unidade hospitalar de São Teotónio e questionado sobre se o serviço público tem capacidade para responder a todos os pedidos, o médico encolhe os ombros. "Tentamos. Tentamos, mas manifestamente somos poucos. Damos o nosso melhor para atender as pessoas, mas é uma população muito grande. É o que temos. Seis urologistas seria o ideal".

Depois da triagem, o Hospital de São Teotónio consegue consultar os doentes urológicos num período de 60 a 75 dias. Apesar da falta de profissionais, Paulo Rebelo afirma que a nível das assimetrias e comparativamente a outras regiões "não andamos muito longe". No campo dos tratamentos garante que apenas não fazem radioterapia, apesar de estar prevista uma unidade para o hospital público. "Já se falou nisso há muito tempo e durante muitas vezes, mas até agora nada. O que fazemos é encaminhar os doentes para o IPO de Coimbra ou para o serviço de radioterapia de Vila Real". Um e outro destino representam para os doentes deslocações e despesas acrescidas. Em ambos os casos, a distância é de cerca de 93 quilómetros e representam mais de uma hora de viagem.

Mitos e Factos

Parte da problemática oncológica, relacionada com a próstata, diz respeito aos sintomas e à necessidade de os homens fazerem um diagnóstico a partir dos 45 anos. Os exames fazem-se com análise sanguínea PSA (antigénio específico da próstata) e toque retal. Os sintomas deste tipo de cancro são muitas vezes confundidos erradamente com problemas urinários e de disfunção sexual. Na dúvida consulte um médico. Trata-se de uma doença silenciosa que não provoca dor nas fases iniciais. Quando os sintomas surgem é sinal de desenvolvimento grave e em estado demasiado avançado. Ainda assim, a maioria das doenças da próstata é curável sendo a hiperplasia benigna a mais frequente. Causa muitas queixas urinárias, mas tem tratamento e não evolui para cancro.

Pandemia travou ações de sensibilização

Entre a avaliação que faz à situação em Viseu e alguns lamentos, o especialista acrescenta ainda a necessidade urgente de se fazer um trabalho mais exaustivo a nível de comunicação com as populações rurais, onde existem menos preocupações preventivas e menos conhecimento generalizado sobre o cancro da próstata. "A área urológica de Viseu é muito grande e com muitas zonas rurais. Notam-se aí muitos mitos e desinformação que é preciso combater. Graça muito por aí a ideia de que não tendo sintomas, não há doença. Faltam muitas noções de prevenção". A conclusão não é nova e acaba por ser transversal aos profissionais de saúde entrevistados até agora no âmbito da iniciativa "Próstata de Lés a Lés". Para ajudar a aumentar e a transmitir mais e melhores conhecimentos sobre doenças prostáticas, mesmo entre os profissionais de saúde, Paulo Rebelo conta que nos últimos anos os urologistas têm feito jornadas pedagógicas junto dos centros de saúde e dos médicos de família que lidam de perto com a população, "mas infelizmente a pandemia travou tudo e atrasou este processo em que são transmitidos muitos conceitos e orientações, além de facilitar a referenciação de doentes para os hospitais".

Mais Notícias (desktop)

Outros Conteúdos GMG