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Mulher confessa morte da esposa: "Quero pedir perdão. Não era este o desfecho que queria"

Mulher confessa morte da esposa: "Quero pedir perdão. Não era este o desfecho que queria"

Ana Miranda admitiu esta manhã perante o tribunal, no Porto, que matou a sua mulher Catarina e pediu perdão. O Ministério Público pediu a sua condenação a 18 anos de prisão.

"Quero pedir perdão. Estou arrependida. Não era este o desfecho que queria." Foi com estas frases, proferidas entre lágrimas e tremores, que Ana Miranda, 32 anos, admitiu o homicídio de Catarina Gonçalves de quem se tinha separado meses antes, após uma relação de sete anos.

Ana está acusada de dois crimes de violência doméstica e um crime de homicídio qualificado. Nas alegações finais desta manhã, o Ministério Público pediu a sua condenação a uma pena de 18 anos de prisão. O advogado de defesa admitiu uma condenação por homicídio negligenciável. A decisão do Tribunal de São João Novo, no Porto, será conhecida a 2 de fevereiro.

Esfaqueou "ex" por 12 vezes

O crime ocorreu na manhã de 13 de março de 2021, no Amial. Ana esperou que Catarina, 25 anos, saísse para trabalhar e abordou-a. As duas discutiram e Catarina lançou gás pimenta para a cara de Ana. Esta muniu-se de uma faca de cozinha que tinha levado consigo e esfaqueou Catarina por 12 vezes até esta lhe morrer nos braços.

Após o crime, Ana pediu a um transeunte que chamasse a polícia e foi-se embora. Vinte minutos depois, entregar-se-ia na esquadra do Bom Pastor. Admitiu o crime e indicou onde estava a faca. Em julgamento, Ana remeteu-se ao silêncio. Até esta manhã, onde admitiu o crime e pediu perdão.

Antes, o Ministério Público havia argumentado que a prova produzida em tribunal era suficiente para dar como provados os dois crimes de violência doméstica e também o homicídio qualificado de que vinha acusada.

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"Especial censurabilidade e perversidade"

O procurador Luís Carvalho argumentou que o crime revestia-se de "especial censurabilidade e perversidade" por ter sido cometido sobre a cônjuge e já depois de esta ter saído de casa. Mais: no dia do crime, Ana levou uma faca consigo e desferiu diversas facadas em várias partes do corpo, o que revela uma "certa crueldade". E pediu a sua condenação por homicídio qualificado, sugerindo um cúmulo penal nunca inferior a 18 anos de prisão.

A advogada da mãe da vítima, que se constituiu assistente e reclama uma indemnização civil, refutou a tese de que Catarina teria contribuído para um estado depressivo de Ana que a levaria a cometer o crime. "Não podemos aceitar", afirmou Célia Oliveira. A advogada referiu ainda que Catarina havia apresentado queixa, mas que Ana nunca foi ouvida nem constituída arguida. "A sociedade falhou", acusou, salientando o "vazio" que a arguida deixou na assistente que perdeu a filha.

O advogado de defesa começou a sua intervenção a esclarecer que "nada justifica qualquer violência, qualquer homicídio"" e que nunca quiseram demonstrar qualquer justificação para o que aconteceu. Até porque - frisou António Sérgio Monteiro - "mal caiu em si", Ana entregou-se, confessou o crime, cooperou e disse onde estava a arma.

Relação "completamente tóxica"

O causídico rejeitou, porém, os crimes de violência doméstica, argumentando que a relação entre as duas mulheres era, segundo testemunhas amigas de ambas, "completamente tóxica" e que existiram "atos mútuos" entre ambas.

Quando ao homicídio, o advogado lembrou que a arguida havia tentado suicidar-se por várias vezes e foi com o intuito de se despedir de Cláudia antes de se matar que a procurou.

Nessa ocasião, Ana terá entrado num "surto psicótico que não a deixou percecionar o que estava a acontecer" e que a levou ao crime. Face a esta argumentação, António Sérgio Monteiro, pediu que Ana fosse condenada por homicídio negligenciável e não qualificado.

O coletivo de juízes marcou a sentença para o dia 2 de fevereiro.

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