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Ricciardi promete a lesados do BES testemunhar a seu favor

Ricciardi promete a lesados do BES testemunhar a seu favor

José Maria Ricciardi, ex-presidente do Banco Espírito Santo de Investimento, prometeu esta terça-feira a um grupo de lesados do Banco Espírito Santo (BES) que, se for necessário, irá garantir em tribunal que foi constituída uma "provisão" a favor dos investidores em papel comercial.

"Sou testemunha que foi constituída a provisão e testemunharei a vosso lado se alguma vez necessitem disso", afirmou José Maria Ricciardi, ao chegar ao Campus de Justiça de Lisboa para ser inquirido, enquanto testemunha, pelo juiz Ivo Rosa no primeiro dia da instrução do processo principal da queda do BES/GES, ocorrida em 2014.

"Fui testemunha viva que se fez uma provisão absolutamente integral para vos pagar na integralidade aquilo que vos era devido e que resultou da vossa confiança que fizeram num nome que infelizmente, apesar de durante muitos anos ter sido um nome credível, foi destruído", precisou o também antigo membro da Comissão Executiva do BES, após ser abordado por Jorge Novo, um dos cinco representantes da Associação de Lesados do Papel Comercial em protesto nas imediações do Tribunal Central de Instrução Criminal.

José Maria Ricciardi, de 67 anos, foi arrolado como testemunha por João Martins Pereira, ex-assessor do Conselho de Administração do Grupo Espírito Santo (GES) e um dos 30 arguidos no processo. O ex-banqueiro, primo de Ricardo Salgado, com quem está de relações cortadas, será também, caso o processo chegue a julgamento, uma das testemunhas-chave do Ministério Público.

Trinta arguidos

Embora se tenha escusado, aos jornalistas, a comentar a alegada má gestão do primo, José Maria Ricciardi insistiu que está "devidamente comprovado que havia um conjunto importantíssimo de factos que foram ocultados" e que, quando teve conhecimento, reportou às autoridades.

Para os procuradores, Ricardo Salgado e outros 24 arguidos terão transformado o BES/GES, para benefício pessoal, numa espécie de castelo de cartas, sustentado por operações fraudulentas e subornos. No total, terão causado 11,8 mil milhões de prejuízos. Ricardo Salgado e os restantes acusados negam.

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Os restantes cinco arguidos são gestores bancários que tinham, inicialmente, sido ilibados pelo Ministério Público e, tal como os outros 29, poderão ou não ir a julgamento.

Para esta terça-feira, estava prevista a inquirição de quatro testemunhas arroladas por João Martins Pereira, mas duas delas, incluindo José Maria Ricciardi, acabaram por ser reagendadas, já no tribunal, para outro dia, uma vez que só o primeira audição demorou cerca de duas horas e meia.

As diligências decorrem à porta fechada e, por agora, há datas marcadas até ao final de abril e no final de maio de 2022. A acusação foi deduzida em julho de 2020, seis anos após a falência do BES/GES. Ricardo Salgado, de 77 anos, responde por 65 crimes, incluindo associação criminosa, burla qualificada e corrupção ativa no setor privado.

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