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Aviação

O Porto sentido com a TAP

Rui Moreira denuncia alegado tratamento de privilégio da transportadora a Lisboa: "Compreendemos a estratégia, não gostamos é de pagar a fatura disso". Da esquerda à direita, toda a Invicta contra "a estratégia centralista" da companhia de bandeira.

No mesmo dia, nesta quinta-feira, em que o JN expôs a redução a mínimos históricos do serviço público prestado pela TAP no Aeroporto Francisco Sá Carneiro - só um em cada dez passageiros que transitam por Pedras Rubras viajam com a companhia nacional -, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, acrescentou mais críticas à gestão da empresa resgatada pelo Estado, que é acusada de privilegiar o aeroporto de Lisboa, em detrimento dos demais.

"A TAP tem o seu "hub" em Lisboa e, portanto, não tem nenhuma utilidade para a cidade do Porto. Faz parte da estratégia do Governo para a TAP, por muito que o Governo o esconda. É a última companhia imperial, tem como única estratégia ser uma companhia de "hub", e o seu "hub", assumidamente, é Lisboa", declarou Rui Moreira.

"Compreendemos perfeitamente - acrescentou o autarca -, que a TAP seja relevante para Lisboa e que Lisboa seja relevante para a TAP. Não gostamos é de estar a pagar a fatura disso, e exigimos para a região um conjunto de recursos necessários para atrairmos outras companhias aéreas".

Exigência demais voos diretos

O presidente da Câmara do Porto também pede mais envolvimento da Área Metropolitana do Porto - "Era melhor que a AMP se concentrasse em fazer exigências ao Governo, até porque a maior parte dos presidentes de câmara são da cor do Governo" - e exige "recursos para atrair voos diretos", de longo curso e intercontinentais.

"É muito importante voltarmos a ter a Emirates, aumentarmos a frequência da Turkish, termos a United Airlines, a British Airways, a KLM. A TAP mais vale não vir e portanto poupar-nos a essa desgraça, mas compensando o Porto. Mas também Faro. Em Faro, a situação é pior", afirmou o autarca portuense.

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A posição de Moreira vai de encontro à exposição subscrita pelo Executivo municipal e enviada, em julho, aos deputados eleitos pelo círculo eleitoral do Porto. "Eu não a votei favoravelmente, porque se exigia que a alternativa fosse a Ryanair ou outra privada. Não estamos de acordo com isso. Tem de ser a TAP a desempenhar esse papel", diz Ilda Figueiredo, vereadora da CDU.

"A TAP e o Governo têm de rever a estratégia. Devem dar toda a atenção aqui ao Norte e restabelecer as rotas que já houve em Pedras Rubras, para o mundo, para a Europa, para os países de língua oficial portuguesa e para os países onde há comunidades de emigrantes. Deve fazê-lo com toda a urgência. Essa é a questão central e já várias vezes a defendemos, na Câmara e na Assembleia da República", sublinhou Ilda Figueiredo.

"Encargo medonho"

Alberto Machado, vereador do PSD na Câmara do Porto, verifica, por seu lado, que "para justificar os milhares de euros que cada português já pagou, a TAP tem de ser muito mais do que isto".

"Ao contrário do que quiseram vender, a TAP não é uma companhia de bandeira. Deve ser encerrada ou reprivatizada, para nos vermos livres deste encargo medonho", acrescenta Alberto Machado.

Desde Bruxelas - onde verifica como "é incrível que a TAP não tenha voos do Porto para a capital da Europa" -, Sérgio Aires, vereador do Bloco Esquerda na Câmara do Porto, atalha e conclui: "A posição do Bloco é a de sempre e resume-se numa frase - a TAP tem de ter Norte. E a ANA, que também faz parte do mesmo pacote do problema, tem de ser renacionalizada. O Porto tornou-se num apeadeiro e o low-cost contribui para a monocultura do turismo, o que acarreta graves problemas para a cidade e para a região".

Ferrovia e "políticas responsáveis e sustentáveis"

Desde Lisboa e da Assembleia da República, a deputada Bebiana Cunha, do PAN, observa que a transportadora nacional, "com a conivência ou o apoio do Governo, não tem priorizado o Porto no que toca ao seu serviço como destino final no Aeroporto Francisco Sá Carneiro".

"A TAP refere como positivo o aumento de 5% para 10% do volume de passageiros do segundo para o terceiro trimestre, mas tinha 20% no quarto trimestre de 2019", sublinha Bebiana Cunha, a referir-se ao comunicado com que a companhia reagiu à publicação da estatística relativa a junho-setembro deste ano. [ndr: de facto, segundo o penúltimo relatório trimestral (Abril-Junho) da Associação Nacional da Aviação Civil, a companhia detinha 12% da cota de passageiros em Pedras Rubras].

"Não obstante - adianta a deputada -, para o PAN é fundamental que se invista urgentemente na ferrovia. Devíamos estar a debater as ligações internacionais por essa via".

Bebiana Cunha dá como exemplo a ligação de caminho-de-ferro Porto-Bragança-Zamora-Madrid e exorta o Governo a seguir "políticas responsáveis e sustentáveis", que "não se fazem à custa de tamanha pressão na cidade e nos cidadãos, por via das empresas low-cost".

"Fazem-se com respostas estruturadas, para real resposta às necessidades, algo em que temos demasiados anos de atraso em Portugal", rematou a deputada do PAN, que concorreu à Câmara do Porto nas última eleições autárquicas.

Outro deputado concorrente à Câmara do Porto nas autárquicas de setembro, o socialista Tiago Barbosa Ribeiro, eleito vereador (sem pelouro), diz que, "embora tenha vindo a aumentar as suas rotas ao nível intercontinental", a TAP "continua, manifestamente, a não servir os interesses do Porto e da coesão regional".

"Parece-me que é necessário manter a crítica construtiva e a exigência de que a TAP, como empresa pública, sirva o todo nacional, o Porto e, já agora, os restantes aeroportos, além do de Lisboa", conclui Tiago Barbosa Ribeiro.

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