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Atores amadores de Vila Real são estrelas em filme de comédia

Atores amadores de Vila Real são estrelas em filme de comédia

"Quem Matou Laura Paula" estreia oficialmente esta sexta-feira no teatro da cidade antes de entrar em digressão pelo país.

Há um ano, Carlos Morais estava a viajar de carro, teve uma ideia para fazer um filme e nunca mais a largou. Juntou pessoas amigas para serem atores, convidou o ator profissional Carlos Areia, fez uma parceria com a produtora Record Platform e conseguiu financiamento do programa Compete 2020. Depois de imenso trabalho durante seis meses, o produto final tem estreia oficial agendada para as 21.30 desta sexta-feira, no Teatro de Vila Real.

A longa-metragem "Quem Matou Laura Paula" foi filmada em Trás-os-Montes e Alto Douro. Tem mistério, suspense, intriga, sexo, aventura, sátira e muito humor. Trata-se da investigação do ex-agente da PSP Tó Manel, conhecido nos meandros do crime como o Poirot do Marco de Canaveses, sobre a freira Laura Paula que aparece misteriosamente morta no fundo de uma ravina, com um cabo de cebolas enrolado no pescoço.

Carlos Morais revela que todo o filme é uma "alegre e divertida paródia", com muita gente suspeita e muita confusão à mistura: a família aristocrata falida do Douro, os parolos da Quinta da Casa Velha, o Castelo do Reino da Penys Silvânia, o desesperado por sexo e claro, o Sagrado Convento de Queijo Flamengo, onde tudo acontece.

"A grande aposta era demonstrar que era possível fazer um filme com um elenco desta natureza, que resultasse bem e que promovesse Trás-os-Montes", explica Carlos Morais. Estiveram envolvidas mais de 50 pessoas, a maioria de Vila Real, mas também de Lamego, Peso da Régua e Viseu, entre outros locais do interior.

Muitos dos atores amadores tiveram de fazer vários papéis. Carla Amaral fez de "matriarca de uma família do Douro falida, empregada de bar que atura homens com dificuldades amorosas e freira do convento onde a irmã Laura Paula morre". Conciliar tudo foi "uma questão de treino e de interiorização" do que Carlos Morais pretendia, pois "ele é extremamente rigoroso".

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Ana Alexandra Amaral diz que a participação no filme "é mais uma forma de mostrar o gosto pela arte", já que adora "cantar, dança e representar". Por outro lado, foi um desafio, pois nunca tinha entrado numa película. Nesta, que foi feita com "muito empenho e muita diversão", faz de "freira Alexandra" e de "parola Parisete". Esta última é uma personagem que "vive com os irmãos, que são quem vai encontrar a Laura Paula morta numa ravina com um cabo de cebolas atado ao pescoço".

Tal como Carla e Ana Alexandra, Carlos Alberto Sousa reside em Vila Real, concelho que contribuiu com a maior parte dos atores. Ele também fez parte do grupo dos parolos, que ostentam grandes bigodes e falta de dentes. No filme assume o papel de um dos filhos da família falida do Douro. "Todos demos o litro para que o resultado final fosse do agrado de quem o vai ver", confessa.

O único ator profissional neste filme, Carlos Areia, aceitou o convite de Carlos Morais "de imediato" e refere que foi "muito gratificante participar", para além de ter arranjado "muitos amigos". Areia não esquece que começou no teatro amador e, por isso, teve ainda mais gosto em contracenar com pessoas que "não sendo profissionais, amam a representação".

Carlos Areia realça que encontrou "gente com muito talento, mas que não se serve disso a não ser nestas ocasiões". Dá o exemplo de professores, engenheiros e pessoas com qualificações académicas altíssimas que fazem isto apenas por paixão, o que é muito giro".

O realizador do filme é João Capela, de 22 anos, residente em Viseu, onde tem sede a produtora Record Platform. Assume que o processo "não foi muito difícil, mas foi trabalhoso, com a preparação da logística a demorar vários meses". No entanto, tudo foi "facilitado pelo espírito de entreajuda demonstrado por todos os envolvidos".

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