Vila Real

UTAD incentiva comunidade académica a criar novos projetos de inovação social

UTAD incentiva comunidade académica a criar novos projetos de inovação social

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real, está a debater a forma como a inovação e o empreendedorismo social podem contribuir para o desenvolvimento regional, nomeadamente em zonas de baixa densidade populacional. O objetivo é promover o aparecimento de novas respostas para os problemas. Mas para isso é necessário não deixar sair cérebros das regiões, capacitar instituições e pessoas, e reduzir a burocracia nos processos de financiamento.

A iniciativa faz parte das "ChangeTalks" e é organizada pela Vice-Reitoria para a Inovação, Transferência de Tecnologia e Universidade Digital. É a primeira edição de um conjunto de eventos promovidos no âmbito do projeto UI-CAN - Universidades como Interface para o Empreendedorismo. Junta sete universidades do país com a missão de promover o espírito empreendedor e a criação de novas empresas alinhadas com o desenvolvimento sustentável.

O objetivo, segundo o vice-reitor João Barroso, é "incentivar a comunidade académica para a criação de novos projetos de inovação social e empreendedorismo de impacto". Por outro lado, perceber "como é que através da inovação social se podem resolver problemas e promover o desenvolvimento da região". Na UTAD já se percebeu que "é com pessoas mais qualificadas que isso se consegue", nomeadamente através da "criação de mais emprego".

A secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira, disse na sessão de abertura, através de um vídeo gravado, que no âmbito do quadro comunitário Portugal 2030 "haverá apoios para a área da inovação e inclusão social". Salientou que o objetivo é tornar as regiões de baixa densidade populacional "mais resilientes", para que tenham "maior capacidade de fixar e atrair pessoas".

No âmbito do quadro comunitário PT2020 já foram financiados pelo Portugal Inovação Social cerca de 700 projetos em todo o país, o que Alexandra Neves, uma das responsáveis do programa, considerou ser um "sucesso". O objetivo é continuar a apoiar iniciativas neste âmbito. Destacou que "as empresas deviam ser obrigadas a ter responsabilidade social, pois em última análise as pessoas é que vão beneficiar da inovação social". Até porque "qualquer um pode ter vulnerabilidades ao longo da vida".

Luís Amado, da B Lab Europe (Portugal), disse que "não consegue pensar em inovação em empreendedorismo sem que ele seja social". Isto porque "se as empresas só contribuírem para dar dinheiro a alguns não vão a lado nenhum". Ora, se devia ser uma obrigação pensar sempre nas pessoas, "o social devia ser implícito, caso contrário é estar a dar cabo da sociedade". "É possível resolver problemas sociais com as empresas", frisou.

Rui Pedroto, da Fundação Manuel António da Mota, defendeu que "não há políticas sociais que resultem se não forem regionalizadas". Porque "é diferente ter um projeto em Marvila (freguesia de Lisboa) ou em São João da Pesqueira". E também devem ser adaptadas aos locais. "Se em Torre de Moncorvo, por hipótese, o problema for o despovoamento, não podem ser projetadas respostas direcionadas para resolver dificuldades de pessoas com deficiência".

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Na Continental Advanced Antenna Portugal, em Vila Real, a responsável de recursos humanos, Patrícia Oliveira, salientou que já é implementada uma política de inovação social, quer pelas condições dadas internamente, quer pela colaboração que a empresa mantém com organizações como a Refood ou e a bagos D"Ouro.

A inovação social resulta da identificação de um problema, como por exemplo idosos em situação de isolamento ou famílias em risco de pobreza. Pressupõe que seja encontrada uma solução para responder ao problema e seja diferente do que já existe, e que tenha potencial de influenciar positivamente a qualidade de vida ou as perspetivas de desenvolvimento das pessoas que constituem o grupo-alvo.

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