Segurança

Coreia do Sul quer desnuclearização do Norte e oferece ajuda económica em troca

Coreia do Sul quer desnuclearização do Norte e oferece ajuda económica em troca

O novo presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, disse, no discurso inaugural de terça-feira, que tem "um plano ousado" para melhorar a economia do Norte, caso Pyongyang abandone as aspirações nucleares uma vez que são uma ameaça à segurança regional e global.

"Embora seja verdade que os programas de armas nucleares da Coreia do Norte sejam uma ameaça não apenas à nossa segurança e à do nordeste da Ásia, a porta para o diálogo permanecerá aberta", disse Yoon, perante cerca de 40 mil pessoas, nos jardins da Assembleia Nacional, o parlamento sul-coreano.

"Se a Coreia do Norte realmente embarcar num processo para completar a desnuclearização, estamos prontos para trabalhar com a comunidade internacional e apresentar um plano ousado que fortalecerá muito a economia da Coreia do Norte e melhorará a qualidade de vida do seu povo", disse o conservador.

Yoon defendeu que o desarmamento da Coreia do Norte trará "paz e prosperidade" à península e também sublinhou a necessidade de impulsionar o crescimento doméstico. Moon Jae-in, o antecessor do atual presidente, trabalhou numa política de envolvimento com Pyongyang, intermediando cimeiras entre o líder norte-coreano Kim Jong Un e o então presidente dos EUA, Donald Trump. Mas as conversações desabaram em 2019 e a diplomacia estagnou desde então.

"A nossa sociedade é atormentada por divisões e conflitos sociais que ameaçam a nossa liberdade e a nossa ordem democrática liberal", acrecsentou o novo presidente. Yoon venceu as eleições presidenciais a 9 de março por apenas 247 mil votos (0,07% do total), derrotando o liberal Lee Jae-myung.

"Acho que não podemos superar esse problema sem primeiro alcançar um crescimento rápido e sustentável", que "só será possível por meio da ciência, tecnologia e inovação", disse Yoon.

No entanto, e de acordo com os analistas contactados pela France-Presse, a oferta não será aceite pela Coreia do Norte, que investe grande parte do PIB nos programas de armamento e há muito que deixou claro que não se vai desfazer do negócio.

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"Em 2009, a Coreia do Norte garantiu que não iria desistir das suas armas nucleares por incentivos económicos", disse Park Won-gon, professor da Universidade de Ewha, na Coreia do Sul, à AFP. "O comentário de Yoon irá apenas chatear Pyongyang, que o verá como um ataque", rematou.

O líder do Partido do Poder Popular iniciou o mandato único de cinco anos à meia-noite (15 horas de segunda-feira em Lisboa), com uma videoconferência com o chefe do Estado-Maior Conjunto (JCS, na sigla em inglês), Won In-choul, sobre a vizinha Coreia do Norte.

Yoon, antigo procurador-geral, ordenou aos comandantes militares que mantivessem a prontidão militar e disse que "a situação de segurança na península coreana é muito grave".

A Coreia do Norte realizou 15 lançamentos de mísseis balísticos desde o início do ano, o último dos quais no sábado.

O Conselho de Segurança da ONU reúne-se de emergência na quinta-feira, a pedido dos Estados Unidos, para debater os mais recentes testes da Coreia do Norte, indicaram na segunda-feira fontes diplomáticas.

Observadores indicaram que, nos últimos meses, imagens obtidas por satélite mostram sinais de que o Norte está a preparar-se para um teste nuclear em instalações no nordeste do país.

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